Brasil consegue a pior classificação desde 1990 após ser eliminado da Copa do Mundo de 2026
A seleção brasileira foi eliminada da Copa do Mundo de 2026 após perder por 2 a 1 para a Noruega. O resultado representa a pior classificação da equipe desde o torneio de 1990
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A seleção brasileira encerrou sua participação na Copa do Mundo de 2026 com a pior classificação da equipe desde o torneio de 1990, na Itália, após ser derrotada por 2 a 1 pela Noruega. O resultado desencadeou reações emocionais intensas em milhões de brasileiros, manifestadas por meio de raiva, frustração, tristeza e apatia.
Esse cenário é classificado como luto esportivo, termo que descreve a resposta emocional diante da perda de um sonho coletivo. De acordo com João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, a derrota não representa apenas a perda de uma partida, mas a interrupção de uma fantasia e de um projeto emocional construído ao longo de semanas ou meses. O impacto varia conforme o investimento afetivo de cada torcedor: enquanto para alguns o futebol é entretenimento, para outros a seleção é fonte de identidade, pertencimento e autoestima.
A neurociência indica que perdas simbólicas, como a eliminação em um Mundial, podem ativar circuitos cerebrais de sofrimento emocional semelhantes aos de outras perdas, embora em escalas distintas. Isso ocorre porque o cérebro incorpora o grupo à própria identidade social, fazendo com que o torcedor sinta a derrota como algo pessoal.
O processo emocional geralmente segue uma sequência que inicia com a incredulidade ou negação, passa pela raiva e busca por culpados, e culmina na tristeza, que gradualmente leva à aceitação. A sensação de vazio é intensificada pela interrupção brusca da rotina e do planejamento emocional que as pessoas organizam em torno dos jogos.
Atualmente, as redes sociais dificultam a superação desse quadro. Os algoritmos mantêm o usuário exposto a memes, críticas e vídeos da derrota, impedindo que o cérebro se afaste do evento e mantendo o estresse ativo por mais tempo. Para mitigar esse efeito, a recomendação é reduzir a exposição a discussões digitais, retomar a rotina cotidiana e aceitar a tristeza como parte da experiência de torcer.
No caso de crianças, a eliminação impacta a percepção de atletas que são vistos como heróis. A psicóloga e psicanalista Roseli Moreno afirma que esse momento deve ser utilizado por adultos para ensinar que a admiração não exige perfeição. O acolhimento dos sentimentos infantis, sem minimizar a dor com a frase "é só um jogo", auxilia no desenvolvimento da resiliência e da tolerância à frustração. Moreno alerta que a repetição de conteúdos negativos no ambiente digital também prolonga o sofrimento infantil, sendo necessário equilibrar a exposição a esses meios.