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Estádio Azteca será a primeira arena do mundo a sediar três edições da Copa do Mundo

11 de Junho de 2026 às 09:03

O Estádio Azteca sediará a abertura da Copa do Mundo de 2026 em 11 de junho, tornando-se a primeira arena a receber três edições do torneio. A estrutura passou por reformas em 2024 e teve seu nome alterado para Estádio Banorte em março de 2025. Durante o Mundial, o local será identificado como Estádio Cidade do México e receberá cinco partidas

Estádio Azteca será a primeira arena do mundo a sediar três edições da Copa do Mundo
Getty Images

O Estádio Azteca se tornará a primeira arena do mundo a sediar três edições da Copa do Mundo quando receber a partida de abertura entre México e África do Sul, em 11 de junho de 2026. A construção, iniciada em 1962 sob a assinatura dos arquitetos Rafael Mijares Alcérreca e Pedro Ramírez Vázquez, levou quatro anos para ser concluída e foi inaugurada em 29 de maio de 1966. O primeiro gol de sua história foi marcado pelo brasileiro Arlindo dos Santos, em um empate por 2 a 2 entre Club América e Torino.

Projetado originalmente para mais de 100 mil espectadores, o estádio já havia registrado recordes de público antes mesmo de sua primeira Copa, como no jogo entre México e Brasil pelas Olimpíadas de 1968, que atraiu quase 120 mil pessoas. A primeira Copa do Mundo no recinto ocorreu em 1970, culminando no tricampeonato brasileiro. Na final, o Brasil venceu a Itália por 4 a 3, com gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto, marcando a despedida de Pelé dos Mundiais. Naquela edição, o Azteca também sediou o "Jogo do Século" em 17 de junho, semifinal onde a Itália derrotou a Alemanha Ocidental por 4 a 3, com cinco gols marcados em apenas 30 minutos de prorrogação.

Em 1986, o estádio foi palco de novo Mundial e de um dos confrontos mais emblemáticos da história: a vitória da Argentina sobre a Inglaterra por 2 a 1 nas quartas de final. Na ocasião, Diego Maradona marcou dois gols, incluindo o polêmico "gol da mão de Deus" e a arrancada eleita pela Fifa como a melhor da história das Copas. A Argentina sagrou-se campeã ao vencer a Alemanha Ocidental por 3 a 2 na final, tornando o Azteca o único estádio a ver Pelé e Maradona conquistarem títulos mundiais. O torneio de 1986 também foi responsável pela popularização global da "ola".

No cenário nacional, a arena abrigou a conquista da Copa das Confederações de 1999, quando o México venceu o Brasil por 4 a 3 diante de 110 mil torcedores, principal título da seleção masculina do país em torneios da Fifa. Em contrapartida, o estádio registrou o "Aztecazo" em 2001, com a derrota do México para a Costa Rica por 2 a 1 nas Eliminatórias para 2002, a primeira vez que os anfitriões perderam em casa em fase classificatória.

Para a Copa de 2026, que contará com 48 seleções e sedes divididas entre México, Estados Unidos e Canadá, o Azteca passou por uma reforma iniciada em 2024. As melhorias incluíram gramado híbrido, novos assentos e conectividade, ajustando a capacidade para cerca de 90 mil lugares. O estádio, que já teve o nome de Estádio Guillermo Cañedo entre 1997 e 1998, passou a se chamar oficialmente Estádio Banorte em março de 2025, fruto de um contrato de patrocínio de 100 milhões de dólares válido até 2037. Contudo, por normas da Fifa, a arena será identificada como "Estádio Cidade do México" durante o Mundial, onde receberá cinco jogos.

A expectativa esportiva contrasta com a tensão social no entorno da arena. Familiares de desaparecidos, conhecidos como "madres buscadoras", utilizam as imediações do estádio para cobrar do governo a localização de mais de 130 mil pessoas. O movimento ganhou força após relatório do Comitê da ONU contra os Desaparecimentos Forçados, de abril de 2026, que sugeriu que tais sumiços poderiam ser crimes contra a humanidade. A gestão da presidente Claudia Sheinbaum negou a tese, alegando erros metodológicos. Os manifestantes criticam a disparidade de recursos, apontando que a Copa mobilizará mais de 10 mil agentes de segurança, enquanto as buscas por desaparecidos contam com menos de 20 policiais.

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