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Haiti retorna a Copa do Mundo após 50 anos e enfrentará o Brasil no torneio

02 de Junho de 2026 às 06:12

A seleção do Haiti retorna a uma Copa do Mundo após 50 anos e enfrentará Marrocos, Escócia e Brasil no Grupo C. O jogo contra a equipe brasileira ocorre em 19 de junho, no Estádio da Filadélfia

Haiti retorna a Copa do Mundo após 50 anos e enfrentará o Brasil no torneio
AP Photo/Odelyn Joseph

A seleção do Haiti, conhecida como os "Grenadiers", retorna a uma Copa do Mundo após 50 anos, tendo se classificado para o torneio global pela primeira vez desde 1974. A equipe disputará o Grupo C, enfrentando Marrocos, Escócia e Brasil. O confronto contra a seleção brasileira está agendado para o dia 19 de junho, no Estádio da Filadélfia.

O histórico recente entre as duas equipes é marcado por amplas vitórias brasileiras, como o 6 a 0 em um amistróvel promovido por uma força de paz da ONU em 2004, em Porto Príncipe, e o 7 a 1 na Copa América de 2016. Apesar disso, a classificação atual alterou a dinâmica do torcedor haitiano, que tradicionalmente apoiava o Brasil, especialmente desde a Copa de 1982 e após a missão humanitária de 2004, que levou atletas como Ronaldo e Roberto Carlos ao país.

Em Porto Príncipe, a expectativa pelo torneio reflete-se no comércio local, com o aumento da venda de camisas da seleção e acessórios nas cores azul e vermelha da bandeira nacional. Para torcedores como Fitho Joseph, a conquista da vaga interrompeu a torcida pelo Brasil. Para outros, como Wilkerson Daromain, o uso do uniforme representa uma mensagem de esperança e resiliência diante do cenário nacional.

A mobilização esportiva ocorre em meio a um contexto de crise, com fome generalizada e violência causada por gangues, que deslocaram mais de 1,4 milhão de pessoas. Jean-Paul Jean Pierre, que vive em um abrigo improvisado com a companheira e dois filhos, exemplifica a situação de vulnerabilidade ao focar na venda de bandeiras e camisas apenas como meio de subsistência, sem vínculo emocional com as equipes.

Entre a população jovem, a expectativa é de união nacional. Mario Etienne, de 15 anos, e Claudy Denis, de 14, planejam acompanhar as três partidas da equipe via televisão ou em reuniões comunitivas, caso haja falta de energia elétrica. O sentimento de aspiração também atinge crianças como Guerier, que joga em ruas da capital com traves de pedra e veste a camisa 10 do Brasil, mas projeta se tornar como Duckens Nazon, artilheiro da seleção haitiana e atualmente atleta do Esteghlal, do Irã.

O apoio aos Grenadiers é sintetizado pelo grito de guerra “Grenadye, alaso!” (Tropas, ao ataque!), expressão originada no período revolucionário que transformou o Haiti na primeira república negra do mundo.

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