Pesquisa indica que 41% dos usuários de redes sociais não acreditam em novas conquistas brasileiras
Levantamento da Orbit Data Science indica que 41% dos usuários de redes sociais manifestaram descrença em novas conquistas após a eliminação da Seleção brasileira contra a Noruega. Outros 12% demonstraram pessimismo moderado, enquanto 17% mantiveram a confiança no título de 2030
A eliminação precoce da Seleção brasileira no último domingo (5/7), marcada por uma das piores campanhas da história do país no torneio, desencadeou uma onda de pessimismo nas redes sociais. Um levantamento da Orbit Data Science, que analisou 7.855 interações no X, Instagram e TikTok após a derrota para a Noruega, revelou que 41% dos usuários manifestaram descrença total em novas conquistas. Outros 12% demonstraram um pessimismo moderado, acreditando que a geração atual não verá o hexacampeonato, enquanto apenas 17% mantiveram a confiança de que o título virá na edição de 2030.
Essa reação é classificada pelo psicólogo Sérgio Freire, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), como pensamento catastrófico e dicotômico, onde a frustração intensa leva a mente a generalizar o presente para o futuro como mecanismo de defesa. O psicólogo Lucas Freire complementa que o cérebro projeta a dor imediata para o infinito, amplificando o impacto do evento.
Para a neuropsicóloga Maria Carolina Fontana Antunes, pesquisadora da Universidade Paris Cité, as manifestações digitais refletem o estado emocional momentâneo e não uma análise racional. Ela explica que emoções intensas criam um viés de negatividade, similar ao ocorrido após o 7 a 1 em 2014, fazendo com que as pessoas superestimem os aspectos negativos. Esse cenário é agravado pela cultura do imediatismo, que dificulta a compreensão de que o desempenho de uma seleção é construído ao longo de anos, e não definido por um único torneio.
Sérgio Freire associa esse comportamento a uma "era de desesperança", na qual a incapacidade de esperar por resultados a longo prazo torna a espera por um título — que pode levar quatro anos — algo intolerável. As redes sociais potencializam esse fenômeno ao favorecerem falas exageradas e polarizadas em detrimento de análises ponderadas.
Carolina Valle, líder de pesquisas da Orbit, observa que essa "inflamação emocional" é uniforme no brasileiro, manifestando-se em esportes, eleições e reality shows. Embora o jejum de títulos desde 2002 sedimente o pessimismo, Valle acredita que a tendência é a recuperação da fé no hexacampeonato até 2030.
Do ponto de vista educativo, o esporte é visto por Sérgio Freire como uma ferramenta para treinar a resiliência e a capacidade de lidar com perdas em um ambiente protegido, sem desorganizar a vida pessoal. Paralelamente, a psicóloga Antunes alerta que conclusões extremas não devem ser tomadas sob forte abalo emocional, defendendo que o tempo é essencial para processar o luto antes de qualquer julgamento objetivo.
A neuropsicóloga ressalta que o futebol, ao representar a identidade e o pertencimento no Brasil, gera emoções coletivas contagiosas, amplificadas pelas redes sociais. Para ela, a sociedade contemporânea tende a interpretar quedas como fracassos definitivos, ignorando que oscilações fazem parte de qualquer jornada de vida.