Justiça

Acervo do Tribunal de Justiça do Rio preserva registros históricos de episódios emblemáticos do futebol brasileiro

27 de Junho de 2026 às 12:01

O acervo do Tribunal de Justiça do Rio preserva processos sobre o futebol brasileiro, incluindo o furto da Taça Jules Rimet e o sequestro do pai de Romário em 1994. Os registros abrangem ainda a ação de ex-jogadores contra a CBF e a Editora Abril por direitos de imagem, além de processo de danos morais entre Zico e Romário

O acervo do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) preserva registros judiciais que documentam episódios emblemáticos do futebol brasileiro, desde crimes de repercussão nacional até disputas sobre direitos de imagem. Segundo Gilberto de Souza Cardoso, diretor da Divisão de Gestão de Documentos, esses processos funcionam como fontes históricas que revelam a trajetória do esporte e a relação da sociedade com as Copas do Mundo.

Um dos casos mais notáveis é o furto da Taça Jules Rimet, ocorrido na antiga sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no centro do Rio. O documento que detalha desde a investigação até a condenação dos envolvidos permaneceu por longo período sem identificação precisa.

No campo do direito civil, destaca-se a ação movida por ex-jogadores — entre eles Jairzinho, Carlos Alberto, Altair, Amarildo, José Ferreira Franco, Moacir e Joel — contra a CBF e a Editora Abril. A disputa ocorreu devido ao lançamento do álbum de figurinhas "Heróis do Tri" em 1988, que homenageava as conquistas de 1958, 1962 e 1970, mas foi produzido sem a autorização dos atletas. Marileia Salazar, chefe de serviço do órgão, pontua que esse processo foi fundamental para fortalecer a proteção ao direito de imagem dos esportistas, influenciando a posterior criação da Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998).

O arquivo também guarda o processo de danos morais movido por Zico contra Romário, em 1999. A ação foi motivada por caricaturas e declarações ofensivas expostas pelo ex-atacante em seu comércio, resultando em decisão favorável a Zico.

Outro registro de grande impacto é o sequestro de Edevair de Souza Faria, pai de Romário, ocorrido em 2 de maio de 1994, na Vila da Penha. Três homens armados abordaram a vítima na saída do bar "Garota do Quitungo" e exigiram um resgate de US$ 7 milhões. O crime aconteceu às vésperas da Copa do Mundo nos Estados Unidos, momento em que Romário, então no FC Barcelona, ameaçou deixar a seleção brasileira caso seu pai não fosse libertado.

A mobilização para localizar a vítima envolveu forças de segurança e até lideranças do tráfico de drogas do Rio, admiradores do jogador. Após seis dias de cativeiro em uma residência em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a polícia invadiu o local e resgatou Edevair sem que houvesse pagamento de resgate. Com a resolução do caso, Romário integrou a equipe que conquistou o tetracampeonato mundial.

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