Justiça

AGU e Gilmar Mendes articulam ações contra esquema de precatórios do Banco Master

25 de Setembro de 2026 às 13:12 2 min de leitura

A AGU e o ministro Gilmar Mendes atuam para desarticular a compra de precatórios pelo Banco Master, que teria inflado seu patrimônio em R$ 14,3 bilhões. O esquema, exposto por dados de Daniel Vorcaro, envolvia a tentativa de influenciar magistrados e fraudes contábeis. Uma liminar bloqueou R$ 4,7 bilhões em títulos para devolução ao Tesouro Nacional

-0:00

A Advocacia-Geral da União (AGU) e o ministro Gilmar Mendes articulam ações para desarticular um esquema de comercialização de precatórios utilizado pelo Banco Master para inflar seu patrimônio e obter lucros indevidos. A operação, que contava com a tentativa de cooptação de membros do Judiciário, foi exposta por meio de dados extraídos do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

As evidências revelam que Vorcaro mantinha contato com advogados próximos a magistrados para tentar assegurar decisões favoráveis em tribunais, validando a aquisição de precatórios e pré-precatórios. Ao todo, o banqueiro investiu R$ 14,3 bilhões nesses títulos e direitos creditórios, cujos rendimentos dependiam de sentenças judiciais específicas.

Mecanismo de inflação patrimonial

O Banco Master operava a compra de créditos de empresas, com foco no setor sucroalcooleiro, aplicando deságios nos valores de aquisição. No entanto, a instituição registrava esses ativos em sua contabilidade por valores superiores aos reais, utilizando fraudes financeiras ou declarações irreais.

Essa estratégia criava um patrimônio fictício, simulando uma solidez financeira inexistente. Com a aparência de riqueza, o banco conseguia:

  • Atender a exigências de saúde financeira do Banco Central;
  • Justificar aportes de capital;
  • Atrair investidores e movimentar bilhões em fundos;
  • Realizar operações de grande porte, mascarando um passivo bilionário com garantias de baixa qualidade.

Reações no Judiciário e Governo

Daniel Vorcaro tentou influenciar o voto do ministro Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal (STF) para validar suas teses. O decano do STF, juntamente com o ministro André Mendonça, votou contra as pretensões do banqueiro, embora os ministros Edson Fachin, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli tenham votado a favor.

Diante da natureza questionável desses ativos, especialmente os ligados a usinas de álcool, Gilmar Mendes encaminhou a discussão ao plenário do STF para que seja definida uma decisão de repercussão geral. O ministro diferencia o mercado regular de precatórios da "indústria" de dívidas duvidosas operada por Vorcaro.

No âmbito executivo, a AGU obteve uma liminar que bloqueou um processo envolvendo R$ 4,7 bilhões em títulos desse tipo, determinando a devolução dos valores ao Tesouro Nacional até o julgamento final. Paralelamente, após iniciativa do ministro da AGU, Jorge Messias, o Conselho Monetário Nacional implementou normas mais rígidas para a compra de dívidas judiciais.

Notícias Relacionadas