Justiça

Alexandre de Moraes defende a integração de órgãos de inteligência para combater o crime organizado

24 de Agosto de 2026 às 18:51

O ministro Alexandre de Moraes defendeu a integração de órgãos de inteligência e a superação de entraves históricos para combater o crime organizado. O magistrado destacou a importância da cooperação de dados, base da PEC da Segurança Pública, durante audiência sobre a Lei Antifacção

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Alexandre de Moraes defende a integração de órgãos de inteligência para combater o crime organizado
Luiz Silveira/STF

A superação de entraves históricos e a integração entre órgãos de inteligência foram os eixos centrais do discurso do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (24). Durante a abertura de uma audiência pública, o magistrado defendeu que o combate ao crime organizado exige a eliminação de "vaidades" institucionais e a superação de traumas políticos relacionados à gestão da segurança pública no Brasil.

Barreiras históricas e a centralização da segurança

Para o ministro, o cenário político e o Poder Executivo brasileiro carregam marcas de regimes autoritários, especificamente a ditadura militar e a Era Vargas (1937-1945). Segundo Moraes, essa herança gerou uma confusão entre a autoridade necessária para a segurança pública e o autoritarismo, resultando em um receio atual de centralizar a coordenação dessas políticas na União.

O ministro argumentou que esse medo deve ser superado, citando que, em outros países, a segurança pública mantém objetivos unificados independentemente da orientação ideológica do governo vigente.

Integração de dados e a PEC da Segurança Pública

Um dos pontos críticos apontados por Moraes é a falta de cooperação entre entidades como o Ministério Público e a Polícia Federal. O magistrado afirmou que a retenção de informações, baseada na premissa de que "informação é poder", impede a eficiência das operações. Ele destacou que a recusa em compartilhar bancos de dados entre diferentes polícias e órgãos é um obstáculo humano, e não jurídico ou político.

Essa necessidade de maior integração entre municípios, estados e União é a base da PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal e atualmente em tramitação no Senado.

Questionamentos sobre a Lei Antifacção

A audiência pública ocorreu para debater a Lei Antifacção, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março deste ano. Alexandre de Moraes é o relator de quatro ações que contestam a constitucionalidade de trechos da norma. As ações foram movidas por entidades como a Abracrim, a ANPV, a Conamp e a União Nacional das Advogadas Criminalistas e Acadêmicas de Direito.

Entre os pontos que aguardam análise do plenário do STF, destacam-se:

  • Penas e Tipificação: A criação de crimes com conceitos vagos e a possibilidade de penas de até 60 anos para líderes de organizações criminosas ultraviolentas.
  • Direitos do Preso: A proibição de livramento condicional e a extinção do auxílio-reclusão para condenados por crimes de domínio social estruturado.
  • Garantias Processuais: A inversão do ônus da prova para a comprovação de origem lícita de bens, além da possibilidade de restringir direitos políticos de presos provisórios antes da condenação definitiva, o que impactaria a presunção de inocência.
  • Competência Jurídica: A proposta de afastar a competência do tribunal do Júri em casos de homicídios dolosos cometidos no âmbito de facções.
  • Vigilância: A permissão para monitorar e gravar visitas de presos vinculados a organizações criminosas ultraviolentas.

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