André Mendonça contesta pedido de Alexandre de Moraes para abertura de investigação contra ele no STF
O ministro André Mendonça contestou o pedido de investigação feito por Alexandre de Moraes sobre a condução dos casos Master e INSS. Moraes alega crimes de responsabilidade e abuso de autoridade, enquanto Mendonça afirma que as provas são relatórios de inteligência sem valor probatório
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou as acusações feitas pelo ministro Alexandre de Moraes, que solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra ele. O conflito central gira em torno da condução dos casos Master e INSS no tribunal.
Moraes fundamentou seu pedido em documentos das operações Sem Desconto e Compliance Zero, alegando a existência de indícios de crime de responsabilidade, abuso de autoridade, improbidade administrativa e favorecimento de grupos políticos. Tais alegações foram formalizadas no âmbito do Inquérito das Fake News.
Questionamento sobre a validade das provas
Em sua defesa, Mendonça argumenta que Moraes distorceu o conteúdo de relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) para sustentar as acusações. O ministro sustenta que esses documentos são compostos por relatos unilaterais, opiniões e impressões de agentes policiais, não possuindo valor probatório para embasar pedidos de investigação.
De acordo com a manifestação de Mendonça, os próprios relatórios da PF indicam que o material servia apenas para subsidiar decisões em cenários de informações incompletas, e não como provas concretas.
Contexto das operações e acesso aos dados
O embate envolve a operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias ligadas a Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. Mendonça afirma que a tentativa de investigá-lo visa, na verdade, descredibilizar a equipe policial responsável por essa operação.
Sobre a obtenção dos documentos, Mendonça questiona o procedimento adotado por Moraes. Em 1º de setembro, o ministro determinou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, enviasse ao Inquérito das Fake News todos os relatórios de inteligência que fizessem menção a ministros do STF, ordem que foi executada pela Polícia Federal.