Justiça

Apreensões de medicamentos emagrecedores contrabandeados crescem 172% no primeiro semestre de 2026

27 de Julho de 2026 às 12:30

A Polícia Federal apreendeu 165.589 unidades de medicamentos emagrecedores contrabandeados no primeiro semestre de 2026, alta de 172% em relação ao ano anterior. As mercadorias entram no Brasil via fronteira com o Paraguai e têm São Paulo como principal mercado consumidor

A Polícia Federal registrou um salto de 172% nas apreensões de medicamentos emagrecedores contrabandeados no primeiro semestre de 2026. De acordo com um levantamento inédito da corporação, foram retirados de circulação 165.589 unidades — entre canetas, ampolas e frascos —, volume que já supera o dobro do total apreendido em todo o ano de 2025, quando o número foi de 60.865.

O crescimento nas interceptações começou a ser observado em setembro do ano passado, atingindo o ápice em maio de 2026, mês em que 51.582 unidades ilegais foram recolhidas. As ações resultaram de fiscalizações, abordagens em rodovias e o cumprimento de mandados judiciais derivados de investigações da PF.

Logística e Rotas do Tráfico

A maior concentração de apreensões ocorreu nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, devido à proximidade com as fronteiras, além de São Paulo, que se consolida como o principal mercado consumidor.

A Polícia Federal identificou que o contrabando segue um padrão logístico organizado. A entrada dos produtos ocorre predominantemente pela fronteira terrestre com o Paraguai, com destaque para a região da tríplice fronteira, em Foz do Iguaçu, e Mato Grosso do Sul. A partir desses pontos, as mercadorias utilizam as mesmas rodovias empregadas pelo tráfico de drogas para chegar a centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro.

Para complementar a distribuição, a rede criminosa utiliza:

  • Transporte aéreo: para deslocamento rápido de cargas menores entre cidades.
  • Correios: para envios internacionais que viabilizam as vendas via internet.

Riscos à Saúde

A procedência desconhecida desses fármacos gera alertas médicos sobre a segurança do paciente. Karen de Marca, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, pontua que a principal preocupação reside na composição química dos produtos.

A médica explica que medicamentos contrabandeados podem conter substâncias diferentes das anunciadas ou concentrações erradas. O uso de doses superiores às recomendadas, decorrente dessa irregularidade na fabricação, eleva significativamente o risco de efeitos adversos para quem consome as substâncias.

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