Justiça

Banqueiro financiava contratação de influenciadores e jornalistas para atacar o Banco Central nas redes sociais

10 de Julho de 2026 às 06:09

O banqueiro Daniel Vorcaro liderou a organização "Projeto DV", que pagava influenciadores e jornalistas para atacar o Banco Central e favorecer o Banco Master. O ministro André Mendonça autorizou buscas e a quebra de sigilos do publicitário Thiago Miranda, apontado como articulador do grupo. A Polícia Federal investiga o uso de fraudes financeiras para financiar o esquema e a intimidação de profissionais da imprensa

Banqueiro financiava contratação de influenciadores e jornalistas para atacar o Banco Central nas redes sociais
Reprodução

Uma organização criminosa liderada pelo banqueiro Daniel Vorcaro financiava a contratação de influenciadores digitais e jornalistas para realizar ataques coordenados ao Banco Central nas redes sociais. O esquema, batizado de "Projeto DV", envolvia ofertas de pagamento que chegavam a R$ 2 milhões para a publicação de conteúdos que favorecessem o Banco Master e questionassem a liquidação da instituição pelo órgão regulador.

A operação foi revelada por meio de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinada nesta quinta-feira (9). O magistrado autorizou a busca e apreensão de documentos, aparelhos celulares e dados em nuvem, além do afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do publicitário Thiago Miranda Silva. Apontado pela Polícia Federal como o principal articulador do grupo, Miranda atuava no recrutamento de profissionais e na gestão dos pagamentos.

O fluxo financeiro do projeto era originado por Vorcaro, via Super Empreendimentos e Participações, empresa do banqueiro. Segundo a PF, os recursos provinham de fraudes financeiras do Banco Master, investigação que resultou na prisão de Vorcaro em novembro de 2025. Em depoimento, Miranda afirmou que conheceu o banqueiro durante a venda de parte do portal Léo Dias, por R$ 3,5 milhões, e que posteriormente propôs um plano de gerenciamento de crise e reestruturação de imagem para criar o Projeto DV dentro de sua agência.

A estratégia de contratação exigia a assinatura de um acordo de confidencialidade antes que a natureza do trabalho fosse revelada, com multas de R$ 800 mil para quem quebrasse o sigilo. O vereador Rony Gabriel relatou ter sido abordado por um representante da empresa UNLTD para um serviço de "gerenciamento de reputação", descobrindo apenas após a assinatura do contrato que deveria gravar vídeos alegando que o Banco Master fora vítima do Banco Central.

Além da propaganda paga, a organização monitorava e intimidava quem se recusasse a colaborar ou representasse um obstáculo aos interesses de Vorcaro. A PF identificou que Miranda e o banqueiro traçaram estratégias para constranger a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, por meio do levantamento ilícito de dados patrimoniais, familiares e de gastos com cartão de crédito. O mesmo método de dossiê foi aplicado contra Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, e sua esposa.

O grupo também exercia pressão direta para a remoção de reportagens e utilizava a proximidade de Miranda com a companheira de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para beneficiar a organização.

Na decisão, o ministro André Mendonça destacou que as evidências não são conjecturas e que o grupo operava com características de máfia. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente às buscas.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda refutou a prática de ilegalidades, afirmando que o publicitário pauta sua conduta pela transparência e legalidade. O texto sustenta a presunção de inocência e coloca o profissional à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

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