Bolsonaro presta depoimento à Polícia Civil sobre apreensão de pistola registrada em seu nome
Jair Bolsonaro depõe nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do DF sobre a apreensão de uma pistola Glock 9mm em seu nome. A arma foi recolhida em 15 de julho com um militar da sua segurança, que alegou transportá-la para reparos. A oitiva presencial foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes
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O ex-presidente Jair Bolsonaro presta depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23) sobre a apreensão de uma pistola Glock 9mm registrada em seu nome. O delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, compareceu ao condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por volta das 14h30 para realizar a oitiva. A diligência presencial foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que indeferiu o pedido da polícia para que o depoimento ocorresse via videoconferência, justificando a existência de restrições legais ao uso de comunicações eletrônicas.
A arma foi recolhida durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília, na última segunda-feira (15), enquanto estava no veículo conduzido por Estácio Leite da Silva Filho. O militar é vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e atua na segurança de Bolsonaro por meio de cessão à Casa Civil. Embora o sistema do Exército tenha confirmado que o registro da pistola pertence ao ex-presidente, o armamento foi apreendido porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava presente no carro.
Em depoimento já prestado, Estácio Leite da Silva Filho afirmou que transportava a pistola para que ela fosse submetida a reparos e, posteriormente, devolvida ao ex-presidente. A defesa de Bolsonaro corroborou essa versão em documento enviado ao STF, alegando que o próprio político, ao testar o disparo, notou que o mecanismo não funcionava regularmente. Os advogados sustentam que a equipe de segurança havia deixado a arma inoperante para mitigar riscos, considerando o estado de saúde mental do ex-presidente.
O caso é investigado pela Polícia Civil do DF com acompanhamento do STF. A depender do inquérito, as condutas de Bolsonaro e do militar podem ser enquadradas criminalmente.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março deste ano, ele está em regime de prisão domiciliar humanitária, medida autorizada por Alexandre de Moraes por um período inicial de 90 dias para tratamento de broncopneumonia. O histórico do ex-presidente inclui a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda em 22 de novembro de 2025, durante outro período de recolhimento domiciliar, ocasião em que ele alegou ter sofrido alucinações e paranoia decorrentes do uso de medicamentos.