Brasil registra aumento de 25% na produção e distribuição de material de abuso infantil
O 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou alta de 25% na produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil em 2025. Homens representam 86,5% dos autores, enquanto 84,2% das vítimas são meninas, com predominância na faixa de 12 a 17 anos. O relatório também aponta crescimento em crimes de maus-tratos, abandono de incapaz e lesão corporal doméstica
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O Brasil registrou um aumento de 25% na produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil em 2025. Os dados constam no 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado no dia 23, e marcam a primeira vez que o estudo analisa a dinâmica desses crimes no ambiente digital.
Perfil de autores e vítimas no meio digital
A análise revela que a violência digital apresenta características específicas, com a participação significativa de jovens em ambos os lados do crime. Em 34,2% das ocorrências, os autores são adolescentes, evidenciando que, em um terço dos casos, tanto as vítimas quanto os agressores pertencem a essa faixa etária.
Quanto ao gênero dos autores, a predominância masculina é expressiva, atingindo 86,5% dos registros. Casos com autoria exclusivamente feminina representam 9,1%, enquanto 4,4% envolvem múltiplos autores.
No grupo das vítimas, a incidência é maior no início da adolescência, sendo que 84,2% são meninas. A faixa etária predominante é a de 12 a 17 anos, abrangendo 78,3% dos casos. A distribuição por idade detalha o cenário:
- 14 e 15 anos: 30%
- 12 e 13 anos: 26,8%
- 16 e 17 anos: 21,5%
- 9 a 11 anos: 13,9%
Em números absolutos, as ocorrências envolvendo vítimas de até 17 anos saltaram de 3.280, em 2024, para 4.063 em 2025, um crescimento de 25,3%. Já entre jovens de 18 e 19 anos, o volume de registros subiu de 181 para 265, alta de 49%.
Impacto tecnológico e regulação
O relatório associa a expansão das tecnologias digitais a mudanças nas formas de socialização e nas dinâmicas da violência sexual. Modalidades como o aliciamento e a disseminação de conteúdos de abuso infantil tornaram-se desafios centrais para a proteção de menores.
Para os pesquisadores, o combate a esse fenômeno depende da regulação das big techs. O documento aponta que a ausência de mecanismos regulatórios eficazes contribuiu para a consolidação de espaços virtuais onde persistem violências contra mulheres, crianças e adolescentes.
Violência no ambiente familiar
Além dos crimes digitais, o anuário aponta a escalada de violências cometidas no contexto familiar. Crimes de abandono material, abandono de incapaz e maus-tratos praticamente dobraram desde 2021.
O crime de maus-tratos teve a alta mais expressiva, com 38.986 registros em 2025 — um aumento de 14,6% sobre o ano anterior e de 106,1% em relação a 2021. A maioria das vítimas (59,1%) tem entre 0 e 9 anos. O crescimento foi observado em todas as idades:
- 14 a 17 anos: 17,2%
- 0 a 4 anos: 16,3%
- 5 a 9 anos: 14,9%
- 10 a 13 anos: 10,9%
Outros dados relevantes incluem:
- Abandono de incapaz: 14.815 registros, alta de 18,5% comparado a 2024.
- Lesão corporal dolosa (doméstica): aumento de 20.911 para 21.811 casos em vítimas de até 17 anos (alta de 5,5%). No grupo de 18 e 19 anos, houve queda, baixando de 10.566 para 10.194 ocorrências.
Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que esses índices refletem a manutenção de uma cultura que utiliza a violência física como método disciplinar, apesar das diretrizes estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).