Cármen Lúcia defende precisão técnica de agentes públicos para assegurar a confiança nas instituições democráticas
A ministra Cármen Lúcia defendeu a precisão técnica de agentes públicos para assegurar a confiança nas instituições democráticas. Paralelamente, o STF suspendeu o julgamento sobre a relação entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes após pedido de vista do ministro Flávio Dino
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou preocupação com o cenário de descrença nas instituições democráticas do Brasil. Em participação por videoconferência em um evento sobre Controle Interno nesta quarta-feira (16), a magistrada defendeu que a busca pela precisão técnica é um dever obrigatório de todos os agentes públicos e servidores para assegurar a confiança da população, embora tenha reconhecido que erros fazem parte da limitação humana.
A fala ocorre após a ministra ter pedido desculpas ao povo brasileiro durante sessão no STF na terça-feira (15), expressando o desejo de ter contribuído para a pacificação da crise que atinge a Corte.
Impasse no julgamento sobre o Caso Master
O STF não chegou a uma conclusão, na última terça-feira (15), sobre o relatório que detalha a relação entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento foi suspenso após o ministro Flávio Dino solicitar vista do processo, alterando seu voto anterior.
Antes da suspensão, a Corte registrou um placar de 4 votos a 3 para manter a análise separada entre as condutas de Alexandre de Moraes, no vínculo com Vorcaro, e a atuação do ministro André Mendonça na gestão do relatório do caso Master.
Votaram pela separação dos processos:
- Edson Fachin (presidente do STF e relator da sessão);
- Cármen Lúcia;
- Luiz Fux;
- André Mendonça.
Já os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam que as análises fossem realizadas de forma conjunta.
Origem do conflito institucional
A instabilidade no tribunal intensificou-se no início de setembro de 2026, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal relativos a fraudes financeiras no Banco Master. Os documentos revelaram a existência de 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, período anterior à primeira prisão do empresário.
As investigações também apontaram encontros presenciais entre os dois e a existência de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Embate entre ministros e acesso a provas
A divulgação dos autos gerou um confronto direto entre os magistrados. Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de realizar uma liberação seletiva de documentos e de omitir informações. Em contrapartida, Mendonça negou as acusações, justificando que o sigilo foi mantido apenas para proteger dados de terceiros e a continuidade das apurações.
A disputa estendeu-se ao acesso ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro. Após solicitação de Moraes, Zanin e Gilmar Mendes, e com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal confirmou, na segunda-feira (14), a entrega de cópias do acervo digital aos três gabinetes.
Para organizar a resolução do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a divisão dos processos. Enquanto a análise das mensagens entre Vorcaro e Moraes foi pautada para o Plenário nesta terça-feira (15), as acusações de Moraes contra Mendonça foram agendadas para o dia 23 de setembro.