Condenado entrega à Polícia Federal provas de esquema de desvio de verbas no Maranhão
Gilbson Cutrim Júnior entregou à Polícia Federal provas de um suposto esquema de desvio de verbas envolvendo o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e familiares. O condenado por homicídio alega que o crime ocorrido em 2022 foi motivado por divergências na divisão de propinas. O ministro Flávio Dino determinou o afastamento de Daniel Brandão, sobrinho do governador, do cargo de presidente do TCE-MA
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Um condenado por homicídio, Gilbson Cutrim Júnior, entregou à Polícia Federal (PF) documentos e evidências que buscam comprovar a participação do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e de seus familiares em um esquema de desvio de verbas públicas. Entre o material entregue estão um vídeo de um veículo, anotações manuscritas com números de processos e a etiqueta de um maço de dinheiro em espécie.
Funcionamento do esquema de propinas
De acordo com a defesa de Gilbson Júnior, o grupo liderado pelo governador teria articulado a cobrança de valores referentes a recebíveis de gestões anteriores. O modelo consistia em localizar empresas com créditos a receber do Estado e viabilizar o pagamento na gestão atual, sob a condição de que os empresários devolvessem parte da quantia.
O condenado afirmou em depoimento à PF que transportava valores para o Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, local onde teria realizado diversas reuniões com Carlos Brandão. Para corroborar as alegações, a defesa apresentou prints de conversas telefônicas e o recibo de pagamento da empresa envolvida na disputa que culminou em um assassinato.
Relação com o homicídio no Tech Office
O caso ganhou nova dimensão após a PF assumir as investigações de um crime ocorrido em agosto de 2022, no centro comercial Tech Office, em São Luís. Gilbson Júnior foi condenado a 13 anos de prisão por matar um homem a tiros no local. Embora a Polícia Civil tenha inicialmente tratado o episódio como uma briga pessoal, a PF aponta que o crime foi motivado por divergências na divisão de propinas oriundas de contratos públicos.
A investigação indica que Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), estava presente na reunião que antecedeu o homicídio. Na última segunda-feira (17), o ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Daniel Brandão do cargo.
Pagamentos por silêncio e provas bancárias
A defesa de Gilbson Júnior sustenta que o assassino recebeu pagamentos mensais em dinheiro vivo para não revelar a participação de políticos nos crimes. Como prova desse fluxo financeiro, a família do condenado apresentou a foto de uma etiqueta do Banco do Brasil que acompanhava os maços de notas, com o objetivo de que a polícia identifique a agência bancária e o autor dos saques.
Posicionamento dos envolvidos
O governador Carlos Brandão negou as acusações, classificando como inadmissível a tese de que chefie uma organização criminosa. O gestor questionou a credibilidade de um réu confesso que alterou sua versão dos fatos e afirmou que sua trajetória pública é pautada pelo trabalho. Brandão mencionou ainda que a Procuradoria-Geral da República teria se manifestado contra a condução do caso pelo STF.
Já Daniel Brandão afirmou, via nota, que está à disposição das autoridades e do Judiciário para prestar esclarecimentos, assegurando que comprovará sua total inocência.