Justiça

Defesa de ex-banqueiro do Banco Master pede adiamento de depoimento à Polícia Federal

14 de Setembro de 2026 às 19:12 3 min de leitura

A defesa de Daniel Vorcaro pediu o adiamento de depoimento à Polícia Federal sobre fraudes em créditos do BRB. O STF analisa a abertura de inquérito sobre mensagens entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. A PF apurou irregularidades em cessões de R$ 7,15 bilhões da Tirreno ao Banco Master, gerando prejuízo de R$ 8,8 bilhões ao BRB

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A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, solicitou o adiamento do depoimento à Polícia Federal agendado para a próxima terça-feira (15). O pedido fundamenta-se na incerteza sobre o acesso integral aos documentos e laudos que compõem os autos do processo, sob a justificativa de que a defesa não consegue precisar se a disponibilização das peças foi completa ou limitada a trechos selecionados pela autoridade policial.

A oitiva faz parte de investigações sobre supostas fraudes em operações financeiras e na concessão de créditos ao Banco de Brasília (BRB).

Investigação no STF e mensagens interceptadas

A data prevista para o depoimento coincide com uma sessão extraordinária do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo ministro Luiz Edson Fachin. Na ocasião, a Corte analisará um relatório da PF que detalha a troca de 52 mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, ocorridas entre o final de outubro e meados de novembro de 2025, período anterior à primeira detenção do ex-banqueiro. O plenário deverá decidir se autoriza a abertura de um inquérito formal sobre esses fatos.

Irregularidades em carteiras de crédito

O caso avança com a divulgação de perícias técnicas apresentadas pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no STF. A Polícia Federal identificou indícios de irregularidades na cessão de R$ 7,15 bilhões em carteiras de crédito da empresa Tirreno Consultoria Promotoria de Créditos e Participações para o Banco Master entre 2024 e 2025.

A perícia destacou três pontos críticos nas operações:

  • Incompatibilidade operacional: a Tirreno não possuía estrutura para originar tais volumes financeiros, apresentando contratos com repetições atípicas de valores.
  • Falta de pagamento: não há provas de que o Banco Master tenha quitado as cessões. A única conta bancária da Tirreno foi aberta apenas em maio de 2025, após as transações, e permaneceu sem movimentação.
  • Transferência ao BRB: esses direitos creditórios foram posteriormente repassados ao banco público do Distrito Federal.

Impacto financeiro no BRB

A transferência desses ativos, classificados como créditos sem lastro, resultou em uma crise financeira no BRB. A administração da instituição estima um prejuízo de R$ 8,8 bilhões, composto por títulos fraudados, inexistentes ou de difícil liquidação oriundos do Master.

Para tentar recompor seu patrimônio, o BRB apresentou um plano de capitalização ao Banco Central. No entanto, as medidas centrais — que incluem a venda de carteiras de ativos para fundos de investimento e um empréstimo de R$ 6,6 bilhões mediado no STF — enfrentam indefinições regulatórias.

Operação Compliance Zero e espionagem

No âmbito da Operação Compliance Zero, já foram efetuados bloqueios de bens de Daniel Vorcaro e prisões preventivas de ex-gestores do BRB.

Investigações da PF revelaram ainda a existência de um grupo operacional chamado "A Turma", liderado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", que atuava para Vorcaro. Através de credenciais de servidores públicos, o grupo invadia sistemas restritos para monitorar investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal que miravam o Banco Master, o BRB e o próprio ex-banqueiro. Em julho de 2025, Vorcaro teria ordenado o levantamento de apurações, conseguindo acesso antecipado ao documento do MPF que originou a Operação Compliance Zero.

Com informações de G1

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