Defesa de produtora de filme sobre Bolsonaro pede transferência de investigações para o STF
A defesa de Karina Gama, produtora do filme Dark Horse, pediu ao ministro André Mendonça a suspensão de investigações da Justiça de São Paulo. A solicitação visa transferir para o STF a apuração sobre possíveis desvios de verbas para a obra. O caso envolve a Operação Wi-Fi e repasses do Banco Master
A defesa de Karina Gama, proprietária da produtora responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse, solicitou ao ministro André Mendonça a suspensão de investigações que correm na Justiça Estadual de São Paulo. O pedido visa transferir a competência do caso para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Karina Gama comanda o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e é sócia da Go UP Entertainment, empresa que produz o longa. A movimentação jurídica ocorre enquanto a Polícia Civil de São Paulo, por meio da 2ª Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Administração do DPPC, apura se houve desvio de verbas para o financiamento da obra cinematográfica.
Conexão com a Operação Wi-Fi e Banco Master
A controvérsia envolve a Operação Wi-Fi, deflagrada em junho, que investiga suspeitas de fraude em um contrato firmado entre a prefeitura de São Paulo e a ONG gerida por Karina, com valor anual de R$ 108 milhões.
Paralelamente, o filme Dark Horse tornou-se alvo de escrutínio após a divulgação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Nas conversas, o filho do ex-presidente solicitava verbas para a produção do filme. Atualmente, o ministro André Mendonça já relata no STF um inquérito que investiga especificamente os repasses feitos por Vorcaro para a obra.
Argumentação da Defesa
Os advogados de Karina Gama sustentam que a investigação de primeira instância, embora formalmente ligada à licitação municipal, tem como objetivo real a análise da aplicação dos recursos do Banco Master no filme. Para a defesa, a inclusão de notícias que vinculam as irregularidades da prefeitura ao financiamento do longa comprova que o objeto do processo é idêntico ao que já tramita na Suprema Corte.
A defesa alega que a manutenção do inquérito em São Paulo representa um desrespeito à competência do STF. Diante da existência de medidas cautelares de inteligência financeira e mandados de busca e apreensão já executados, os advogados alertam para o risco de uma denúncia iminente por parte do Ministério Público.
Por esses motivos, foi solicitada uma medida liminar para interromper imediatamente todos os atos investigativos na esfera estadual até que o pedido de avocação do caso pelo STF seja julgado no mérito.