Diretor da Polícia Federal classifica como equívoco a decisão dos EUA de listar facções como terroristas
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, considerou equivocada a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida não altera as estratégias de combate ao crime no Brasil, embora possa elevar as exigências de compliance para empresas com vínculos nos EUA
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou como um equívoco a decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, anunciada pela Secretaria de Estado norte-americana em 28 de maio, entrou em vigor nesta sexta-feira (5). Para o diretor, a distinção é necessária porque, enquanto o crime organizado visa o lucro, as organizações terroristas são movidas por objetivos religiosos ou ideológicos.
Apesar da divergência conceitual, Rodrigues afirmou que a classificação não altera as políticas públicas de combate ao crime no Brasil nem a estratégia da Polícia Federal, que prioriza a descapitalização de facções, a integração de forças e a prisão de lideranças. O diretor defendeu que o narcotráfico e o terrorismo demandam abordagens distintas e ressaltou que a decisão de um país soberano não interfere nas ações nacionais.
A Polícia Federal não recebeu comunicado oficial sobre a medida, tendo tomado conhecimento via imprensa. Embora seja prematuro avaliar os impactos na cooperação bilateral, o diretor-geral vê a situação como uma oportunidade para ampliar a colaboração internacional, especialmente no bloqueio do envio de armas para o Brasil e na captura de foragidos em território norte-americano.
No âmbito governamental, o Palácio do Planalto e o Itamaraty buscam manter o diálogo com Washington, embora reconheçam a baixa probabilidade de reversão da medida no curto prazo. O governo brasileiro já manifestou que a cooperação internacional deve respeitar a soberania nacional, enquanto o Ministério da Justiça reforça a importância de acordos jurídicos globais para a repressão ao crime organizado.
No campo econômico, a classificação pode gerar reflexos no ambiente de negócios. Eduardo Mello, professor de Política e Relações Internacionais da FGV, indica que empresas com vínculos financeiros ou comerciais nos Estados Unidos podem enfrentar exigências de compliance mais rigorosas. O aumento dos custos para comprovar a ausência de ligações com grupos listados como terroristas pode, consequentemente, desestimular investimentos no país.