Justiça

Disputa entre ministros do STF sobre sigilos do Caso Master revela investigações contra parlamentares

14 de Setembro de 2026 às 06:57 3 min de leitura

O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que o relator André Mendonça liberasse a totalidade dos documentos sigilosos do Caso Master. A abertura parcial de autos revelou investigações da Polícia Federal contra Flávio Bolsonaro e menções aos senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner

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Uma disputa interna no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção de sigilos no Caso Master desencadeou um embate entre ministros e trouxe à tona investigações envolvendo figuras do Legislativo. O conflito teve início na última quinta-feira (10), quando o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça, relator do processo, liberasse a totalidade dos documentos sigilosos da ação.

A decisão de Fachin, que estabeleceu um prazo de 24 horas para o cumprimento, gerou uma série de trocas de ofícios entre os magistrados. Enquanto Mendonça optou por abrir apenas peças selecionadas, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin contestaram a medida, exigindo a abertura integral do inquérito. Paralelamente, o ministro Gilmar Mendes interveio junto à presidência para sugerir a alteração do escopo da questão ou o adiamento da sessão plenária, agendada para terça-feira (15), que deliberará sobre a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.

Desdobramentos e investigações

A liberação parcial de novos documentos pelo relator André Mendonça revelou a menção aos senadores Ciro Nogueira (PL-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). Além disso, os autos confirmam que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de investigação da Polícia Federal (PF). O inquérito apura possíveis crimes ligados ao financiamento da produção do filme Dark Horse.

Sobre este caso, a PF realizou uma operação na quinta-feira para investigar o suposto desvio de emendas parlamentares destinadas à obra cinematográfica. No âmbito dessa apuração, o ministro Flávio Dino proibiu Mario Frias de deixar o país e de manter contato com outros investigados. A produtora do filme, Karina da Gama, também é alvo da operação em São Paulo.

Articulações e conflitos internos

Documentos da Polícia Federal detalham as movimentações de Daniel Vorcaro dias antes de sua prisão, indicando que o banqueiro tinha conhecimento prévio da operação policial. A relação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, bem como a condução do Caso Master por André Mendonça, são pontos de tensão central na atual crise do tribunal.

Em outra frente, o ministro Flávio Dino encaminhou ao STF a investigação sobre supostas fraudes em um contrato de wi-fi firmado entre a Prefeitura de São Paulo e uma ONG vinculada a Karina da Gama.

Enquanto o governo federal monitora o cenário, Flávio Bolsonaro acusou o ministro Dino de realizar interferência política ao comentar as ações da Polícia Federal sobre o financiamento do filme. No STF, a disputa entre grupos de ministros sobre a sessão fechada e a possibilidade de um pedido de vista seguem como elementos centrais do impasse.

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