Justiça

Dono do Banco Master oferece R$ 60 bilhões para firmar acordo de delação premiada

03 de Junho de 2026 às 15:05

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou nova proposta de delação premiada à Polícia Federal e à PGR, com oferta de restituição de R$ 60 bilhões. A negociação ocorre após a rejeição de um acordo anterior e enquanto perícias em celulares indicam corrupção e existência de milícia privada

Dono do Banco Master oferece R$ 60 bilhões para firmar acordo de delação premiada
Jornal Nacional/ Reprodução

A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou na última segunda-feira (1º) uma nova proposta de delação premiada em reunião com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na terça-feira (2), o advogado do banqueiro incluiu um adendo ao documento. Um novo encontro, agendado para quarta-feira (3), foi cancelado para que os investigadores pudessem analisar o material.

A negociação ocorre após a PF ter rejeitado a primeira versão do acordo no mês passado. As autoridades alegaram que as informações eram insuficientes em comparação aos dados já levantados e que o conteúdo sugeria uma tentativa de proteger pessoas próximas ao banqueiro. Para que as conversas avancem, a PGR exigiu a reformulação do roteiro da delação e o aumento do montante a ser devolvido. Interlocutores de Vorcaro indicaram que o valor oferecido para a restituição de recursos subiu de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões.

O acordo, conduzido conjuntamente pela PF e PGR, baseia-se na devolução de ativos e na comprovação de atos de ofício de autoridades mencionadas, seguindo critérios técnicos sem exclusões ou alvos predeterminados. Embora a PF tenha negado a proposta anterior, a PGR optou por manter o diálogo, perspectiva compartilhada pela defesa do investigado.

Paralelamente, a perícia inicial em oito celulares apreendidos de Vorcaro indicou que a atuação do banqueiro extrapola fraudes financeiras. As evidências apontam para a existência de organização criminosa, corrupção e a utilização de uma milícia privada para obtenção de dados sigilosos e ataques a adversários.

Quanto à custódia, Vorcaro foi transferido no dia 19 de março da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, no centro da capital. No dia anterior a essa mudança, sua defesa havia manifestado o interesse em firmar a colaboração premiada, resultando na assinatura de um termo de confidencialidade. Em maio, os anexos da delação foram entregues às autoridades via pen drive.

Recentemente, a pedido da PF, o banqueiro foi movido para uma cela comum na Superintendência, passando a seguir as normas internas da instituição para visitas advocatícias. Anteriormente, ele ocupava uma sala com características de Estado-maior, espaço que também foi utilizado para a detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.

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