Justiça

Estados Unidos classificam as facções Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas a partir de sexta-feira

05 de Junho de 2026 às 09:03

O governo dos Estados Unidos classifica o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas a partir desta sexta-feira (5). A medida amplia a atuação de órgãos de inteligência americanos e prevê sanções financeiras, congelamento de bens e restrições de vistos. O governo brasileiro mantém diálogos com os EUA para tentar reverter a decisão

Estados Unidos classificam as facções Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas a partir de sexta-feira
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A partir desta sexta-feira (5), o governo dos Estados Unidos classifica as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida, anunciada pela gestão de Donald Trump em 28 de maio, altera a natureza jurídica do tratamento dado a esses grupos, que deixam de ser vistos apenas sob a ótica do narcotráfico e do crime organizado para integrar a lista americana de contraterrorismo.

A mudança legal amplia a atuação de órgãos de inteligência e segurança dos EUA e estabelece punições rigorosas para pessoas ou empresas que ofereçam qualquer tipo de apoio às facções, abrangendo desde assistência logística e serviços até recursos financeiros. No âmbito financeiro, instituições e companhias brasileiras com operações vinculadas ao sistema dos Estados Unidos podem ser compelidas a endurecer seus controles internos para evitar vínculos, diretos ou indiretos, com os grupos. Bens identificados em território americano ou sob a jurisdição da legislação dos EUA estão sujeitos a congelamento.

No campo migratório, indivíduos enquadrados pelas autoridades americanas podem sofrer restrições de vistos e de entrada no país. Diplomaticamente, o governo brasileiro mantém diálogos com os Estados Unidos para tentar reverter a decisão, enquanto auxiliares do presidente Lula descartam, no momento, a possibilidade de operações militares americanas em solo brasileiro.

Apesar da medida externa, a legislação brasileira permanece inalterada, e o PCC e o CV continuam sendo tratados como organizações criminosas no território nacional. Contudo, a decisão gera insegurança jurídica e abre margem para pressões americanas sobre a segurança pública brasileira.

O cenário impõe riscos concretos a instituições financeiras e empresas brasileiras com ativos ou ações no mercado americano, a exemplo da Petrobras. Caso investigações — como a operação Carbono Oculto da Polícia Federal ou inquéritos dos próprios Estados Unidos — identifiquem a passagem de recursos de tais facções por essas instituições, podem ocorrer sanções diretas.

Além disso, a nova classificação pode prejudicar a troca de informações entre os dois países. A cooperação já estabelecida entre a Polícia Federal e o FBI para o combate ao crime organizado pode ser dificultada caso a coordenação entre as agências brasileiras e as diversas entidades americanas, incluindo a CIA, não seja devidamente alinhada.

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