Ex-banqueiro nega lembrar destinatário de mensagens sobre intervenção de Alexandre de Moraes em investigações
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou à Polícia Federal lembrar o destinatário de mensagens que solicitavam a intervenção do ministro Alexandre de Moraes para interromper investigações contra o Banco Master. Vorcaro é apurado por suspeitas de propina a diretores do Banco Central e vazamento de inquéritos. O plenário do STF decidirá, na próxima terça-feira, sobre a abertura de investigação contra Moraes
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou, em depoimento à Polícia Federal, recordar o destinatário de mensagens em que teria solicitado a intervenção do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para interromper investigações da PF e do Ministério Público Federal contra o Banco Master.
Ouvido no dia 28 de agosto, Vorcaro é investigado por suspeitas de pagamento de propina a diretores do Banco Central (BC) e por um possível vazamento de inquéritos que miravam sua atuação.
Evidências e interações com o Banco Central
Durante o interrogatório, o delegado Albert Paulo Sérvio de Moura apresentou capturas de tela recuperadas do aparelho celular do banqueiro. Um dos registros, datado de 30 de outubro de 2025, menciona a alteração de uma passagem aérea para que Vorcaro pudesse se encontrar com o ministro Alexandre de Moraes.
Na referida comunicação, o investigado relatou ao magistrado que detinha acesso a informações confidenciais e informais vindas do interior do BC. Vorcaro também mencionou a progressão das apurações conduzidas pela PF e pelo Ministério Público, afirmando que diretores da autarquia e o presidente do órgão, Gabriel Galípolo — identificado nas mensagens apenas como "G" —, estariam sob pressão para a adoção de medidas específicas.
Contradições e defesa
Questionado sobre anotações encontradas em seu celular que fariam referência ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Vorcaro alegou não se lembrar do contexto ou de quem seriam as pessoas citadas. O banqueiro argumentou que mantinha conversas com diversos indivíduos próximos sobre transações de investimento do banco.
Embora tenha admitido que a letra "G" provavelmente se referia a Galípolo, Vorcaro afirmou não recordar para onde as mensagens foram enviadas. A defesa do ex-banqueiro manifestou a intenção de colaborar com as autoridades por meio de uma futura delação premiada, justificando que outras pessoas podem estar envolvidas nos fatos.
Impasse no Supremo Tribunal Federal
O caso gerou um conflito institucional no STF após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de um relatório da PF que detalha 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. O documento foi elaborado por determinação de Mendonça, que solicitou ao plenário a decisão sobre a abertura de uma investigação contra Moraes, com votação prevista para a próxima terça-feira (15).
Em resposta, Alexandre de Moraes encaminhou à Presidência do tribunal um relatório de inteligência da PF — documento sem valor probatório — para questionar a conduta de André Mendonça na gestão das investigações envolvendo o INSS e o Banco Master. O plenário deverá analisar esse pedido no dia 23 de setembro.