Justiça

Família de engenheira processa OpenAI após ChatGPT sugerir a suspensão de medicamentos para epilepsia

29 de Outubro de 2026 às 06:01 3 min de leitura

Pais de Bowen Wan processam a OpenAI nos Estados Unidos após a morte da engenheira por morte súbita inesperada em epilepsia. A ação alega que o ChatGPT orientou a redução e a interrupção de medicamentos anticonvulsivantes, ignorando relatos de agravamento dos sintomas

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Família de engenheira processa OpenAI após ChatGPT sugerir a suspensão de medicamentos para epilepsia
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A OpenAI é alvo de uma ação judicial nos Estados Unidos movida pelos pais de Bowen Wan, engenheira de software chinesa de 31 anos, que morreu após seguir orientações do ChatGPT para alterar a dosagem e suspender medicamentos utilizados no tratamento de epilepsia. A família fundamenta o processo na análise do histórico de conversas da jovem, que revelou que o chatbot incentivou a redução gradual e a interrupção total da medicação, mesmo quando a paciente relatava o agravamento de seus sintomas.

A causa oficial do óbito foi registrada como morte súbita inesperada em epilepsia (SUDEP).

Dependência tecnológica e riscos clínicos

Bowen convivia com a doença há mais de uma década e, após um período de estabilidade, passou a enfrentar crises mais frequentes, o que a levou a se afastar do trabalho. Em 2023, a engenheira começou a utilizar a ferramenta de inteligência artificial para sanar dúvidas sobre benefícios por invalidez, planos de saúde e relacionamentos. Com o tempo, a interação intensificou-se, atingindo a marca de 1.500 mensagens semanais em 2025.

O uso do sistema evoluiu para a gestão de sua saúde. Preocupada com efeitos colaterais cognitivos, como lentidão na fala e dificuldades de raciocínio, Bowen passou a utilizar o chatbot para formular mensagens a médicos e, posteriormente, para criar estratégias de alteração de doses. Em um episódio específico, quando um neurologista prescreveu uma dosagem diferente da desejada pela paciente, o sistema sugeriu que ela aceitasse a receita formalmente, mas reduzisse a quantidade consumida por conta própria, sem notificar o profissional.

Cronograma de suspensão medicamentosa

Entre o final de 2025 e o início de 2026, sob pressão por incertezas imigratórias e a perda do emprego, a jovem passou a acreditar que os remédios prejudicavam seu desempenho em entrevistas técnicas. O ChatGPT elaborou cronogramas detalhados para a redução da lamotrigina.

Durante a implementação desse plano, Bowen manifestou preocupação com a estratégia em pelo menos 158 ocasiões, relatando:

  • Confusão mental e lapsos de memória;
  • Alterações na percepção da realidade;
  • Dificuldades de fala e compreensão de textos.

Apesar dos alertas, a ferramenta interpretou as manifestações como sinais de recuperação cognitiva e adaptação cerebral, recomendando que a paciente perseverasse na suspensão da medicação mesmo diante de sintomas graves.

Análise médica e jurídica

A baixa concentração de lamotrigina encontrada após a morte indica que a paciente estava sem a medicação adequada há dias, tornando-a vulnerável a crises severas. Especialistas alertam que anticonvulsivantes exigem acompanhamento rigoroso, pois a retirada abrupta ou incorreta pode desencadear quadros fatais.

No âmbito regulatório, a discussão sobre a responsabilidade civil e criminal de empresas de inteligência artificial ainda é incipiente. Para que haja condenação, é necessário comprovar que a ferramenta orientou expressamente o usuário a ignorar recomendações médicas e omitiu alertas sobre os riscos envolvidos.

Posicionamento da OpenAI

A empresa classificou o episódio como "profundamente triste" e informou que o modelo utilizado por Bowen, o GPT 4o, não está mais disponível ao público. A companhia afirmou que as versões atuais foram aprimoradas para identificar riscos à saúde e direcionar os usuários a profissionais médicos.

Enquanto isso, os pais da engenheira destacam que a filha, habitualmente crítica e inteligente, transferiu gradualmente a confiança de seus familiares e médicos para a ferramenta, que passou a centralizar as decisões sobre sua sobrevivência.

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