Justiça

Flávio Dino determina o bloqueio de R$ 6 milhões em bens de Eduardo Cunha

12 de Julho de 2026 às 15:02

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou o bloqueio de R$ 6 milhões em bens de Eduardo Cunha. A medida ocorre devido a suspeitas de desvio de emendas parlamentares no âmbito da Operação Transparência

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A decisão, datada de 6 de julho e tornada pública neste domingo (12), fundamenta-se em suspeitas de desvio de emendas parlamentares.

A medida integra a Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado, que teve como alvo a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. De acordo com a Polícia Federal, Cunha utilizou os serviços da funcionária para direcionar recursos conforme seus interesses. A investigação é a mesma que resultou no bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também por indicação irregular de emendas, função esta restrita a parlamentares em exercício.

Na decisão, o ministro Dino ressaltou que o ex-deputado admitiu possuir uma "cota informal de valores" destinada a Minas Gerais, apesar de não ter vínculo político com o estado. O magistrado pontuou que, em ocasiões anteriores, Cunha demonstrou pouco apreço por Minas e pelos prefeitos com quem dialogava. Recentemente, em junho, o político esteve em Belo Horizonte para um encontro com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que concedeu entrevista à rádio 89 Maravilha, veículo pertencente a Cunha.

O histórico político de Eduardo Cunha inclui quatro mandatos na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, entre 2003 e 2016. Seu mandato foi cassado por quebra de decoro parlamentar após a acusação de mentir à CPI da Petrobras sobre a titularidade de contas no exterior. No âmbito da Operação Lava Jato, foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, cumprindo prisões em Curitiba e no Rio de Janeiro, embora o STF tenha anulado a condenação em 2023.

Cunha também enfrentou a inelegibilidade após a cassação, mas a Justiça suspendeu a medida por identificar vícios no processo, baseados na tese de que as provas sobre as contas ocultas foram obtidas ilegalmente. Em 2022, tentou retornar à Câmara por São Paulo, recebendo 5.044 votos, sem conseguir a eleição. No mesmo pleito, sua filha, Dani Cunha, filiada ao PL, foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro com 75,8 mil votos.

Agora, o ex-presidente da Câmara planeja disputar a vaga de deputado federal em 2026 por Minas Gerais, estado que ele descreve como a "síntese do Brasil" devido à sua diversidade e localização geográfica. Procurado, o político não retornou os contatos para comentar a decisão judicial.

Com informações de G1

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