Fundador do Banco Master coordenava remoção de conteúdos e perfis em redes sociais via hackers
Relatórios da PF indicam que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, coordenava a remoção de conteúdos e perfis em redes sociais via Felipe Mourão. As ações incluíam o uso de hackers, invasão de contas e a simulação de ofícios do Ministério Público do Ceará para enganar a Meta. O sigilo das investigações foi levantado pelo ministro André Mendonça, do STF
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Relatórios da Polícia Federal (PF) revelam que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, coordenava ações para remover conteúdos e perfis em redes sociais que prejudicassem seus interesses. As informações tornaram-se públicas nesta quinta-feira, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo de investigações ligadas à instituição financeira.
Para a execução dessas tarefas, Vorcaro utilizava os serviços de Felipe Mourão, a quem se referia pelo codinome Sicário.
Manipulação de redes sociais e monitoramento
As investigações detalham que a atuação da dupla envolvia desde a remoção de postagens específicas até a invasão de contas privadas. Em novembro de 2023, Vorcaro solicitou a Mourão a exclusão de um vídeo publicado no Instagram pelo perfil @anatrackid, especializado em música eletrônica. O conteúdo registrava uma festa particular no Madame Club (conhecido como Madame Satã), com apresentações de Swedish House Mafia, Vintage Culture, Solomun e B2B, evento que a PF identifica como tendo sido realizado pelo banqueiro.
Embora Vorcaro tenha instruído o Sicário a "derrubar" a publicação, mantendo o perfil intacto, as mensagens mostram hesitação posterior do fundador do banco. O vídeo permanece disponível na rede social.
Além desse episódio, o relatório aponta que Vorcaro ordenou o monitoramento constante da conta de uma mulher que o havia bloqueado no Instagram, visando antecipar-se a eventuais publicações desfavoráveis.
Uso de hackers e fraudes documentais
A estratégia de controle digital incluía métodos agressivos para silenciar críticos. Em um dos casos, após ler críticas de um usuário, Vorcaro determinou que Mourão deveria "derrubar e ir pra cima". A ação foi concretizada por meio de hackers, referidos como "os meninos", que conseguiram banir a conta do usuário.
O grupo também é acusado de:
- Invadir a conta do iCloud de um desafeto;
- Derrubar o WhatsApp da mesma pessoa após comentários críticos em um grupo.
Para obter dados de criadores de perfis falsos e forçar a remoção de contas, a PF aponta que Vorcaro e Mourão utilizaram métodos fraudulentos. Eles teriam simulado requisições oficiais de emergência junto à Meta, utilizando um e-mail institucional de uma servidora pública e um ofício falso, atribuído ao Ministério Público do Ceará.