Justiça

Governo do Rio exonera 30 comissionados do Instituto Rio Metrópole após investigação de desvios milionários

23 de Julho de 2026 às 07:07

O governo do Rio de Janeiro exonerou 30 cargos comissionados do Instituto Rio Metrópole (IRM) nesta quarta-feira (22). A reestruturação ocorre após operação do MPRJ que investiga desvios de mais de R$ 80 milhões em contratos públicos

Governo do Rio exonera 30 comissionados do Instituto Rio Metrópole após investigação de desvios milionários
© FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

O governo do Rio de Janeiro promoveu a exoneração de 30 ocupantes de cargos comissionados nesta quarta-feira (22). A medida faz parte de uma reestruturação no Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia responsável por projetos de habitação, tecnologia, meio ambiente, saneamento e mobilidade.

As alterações administrativas ocorrem sob a gestão interina de Roberto Lisandro Leão, secretário de Estado de Governo e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que assumiu a presidência do órgão. Além das demissões, houve a nomeação de dois novos servidores para preencher vagas deixadas por ex-diretores presos e a substituição de outros dois diretores.

Esquema de desvios e operação do Ministério Público

As mudanças no quadro de funcionários do IRM sucedem a operação deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) no dia 9. A investigação aponta para um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que resultou no desvio de mais de R$ 80 milhões em recursos públicos.

De acordo com a denúncia enviada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, o grupo utilizou contratos milionários firmados entre julho de 2022 e maio de 2026 para realizar as fraudes. O MPRJ denunciou 11 pessoas pelos crimes de fraude em licitação, corrupção passiva e organização criminosa.

Entre os detidos na operação estão:

  • Davi Perini Vermelho, conhecido como "Didê", ex-presidente do IRM;
  • Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do instituto e membro da Comissão Técnica de Licitação (pai do deputado estadual Alexandre Knoploch);
  • Franquis Dias Nepomuceno, delegado da Polícia Civil e diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM.

Contexto institucional

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, relacionou a persistência de estruturas estatais cooptadas por criminosos à crise financeira histórica do estado. Para o procurador, a atual configuração do Poder Executivo — exercida transitoriamente pelo presidente do Tribunal de Justiça — tem facilitado a integração entre as instituições para o combate a atos de improbidade administrativa e crimes, mantendo a independência necessária para as investigações.

Moreira destacou que, além do caso do Rio Metrópole, outras investigações de alta gravidade seguem em andamento.

Com informações de Agência Brasil

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