Governo Federal entra com ação contra o Discord e pede indenização de 500 milhões de reais
A AGU e o Ministério da Justiça ajuizaram ação civil pública contra o Discord para exigir medidas de segurança e proteção a mulheres e crianças. O governo pede a adequação às normas do ECA Digital, indenização de R$ 500 milhões e a possível suspensão da plataforma no Brasil
A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça ingressaram, nesta quarta-feira (26), com uma ação civil pública contra o Discord. O governo federal busca compelir a plataforma de comunicação a implementar medidas rigorosas de segurança para coibir crimes e ampliar a proteção de mulheres e crianças.
A medida foi adotada após o fracasso nas negociações para a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta. De acordo com o advogado-geral da União, Jorge Messias, a ação segue orientação da Presidência da República devido a violações do ordenamento jurídico brasileiro consideradas insustentáveis.
Pedidos judiciais e sanções
O governo solicita a suspensão temporária ou a proibição total do funcionamento do Discord no Brasil, além de uma indenização por danos morais fixada em R$ 500 milhões. A ação exige que a empresa se adeque às normas do ECA Digital.
Entre as obrigações pleiteadas pela AGU estão:
- Controle de idade: Implementação de verificação etária e vinculação obrigatória de contas de menores de 16 anos aos responsáveis legais.
- Moderação de conteúdo: Detecção e interrupção em tempo real de transmissões com cenas de violência extrema, suicídio ou automutilação, com a imediata notificação às autoridades e oferta de suporte emocional aos usuários.
- Proteção animal: Criação de sistemas para identificar e moderar conteúdos que envolvam crueldade e maus-tratos a animais.
- Combate a crimes digitais: Estabelecimento de protocolos para remoção de conteúdos de sextortion (chantagem com imagens íntimas) e aliciamento, com a devida comunicação aos órgãos competentes.
- Gestão de grupos: Bloqueio de vídeos de crimes e impedimento de que grupos banidos retornem à plataforma sob nova nomenclatura.
Operação e fiscalização
A AGU requer que a plataforma mantenha uma equipe de moderação fluente em português, em quantidade proporcional ao volume de usuários no país, e disponibilize um canal de denúncias gratuito. Adicionalmente, o governo pede que o registro de todas as moderações efetuadas seja armazenado por um período de seis meses.
Contexto e motivações
O endurecimento da fiscalização ocorre após a repercussão do suicídio de uma adolescente de 13 anos, no Mato Grosso do Sul, que teria sido incitada durante uma transmissão no Discord. O caso segue sob investigação policial, com a maioria dos suspeitos sendo menores de idade.
Devido a esse episódio, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão de todas as transmissões ao vivo da plataforma no território brasileiro desde o dia 12 de agosto.
Em resposta, o Discord classificou a ação judicial como desproporcional e afirmou que a medida não reflete a estratégia de segurança da empresa. A companhia declarou estar comprometida em colaborar com as autoridades para encontrar uma solução que garanta a segurança dos usuários sem interromper o serviço no Brasil.