Hospital da USP classifica como preconceituosa conduta de residente que ridicularizou paciente em rede social
O Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto classificou como preconceituosa a conduta do residente Guilherme Lourenço Monteiro, que ridicularizou um paciente com sobrepeso em redes sociais. O médico publicou dados de um prontuário, ação apontada como infração ética e violação da LGPD
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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (HCFMRP-USP) classificou como preconceituosa a conduta de um médico residente que utilizou as redes sociais para ridicularizar um paciente com sobrepeso. O profissional, identificado como Guilherme Lourenço Monteiro, publicou no dia 21 de setembro a imagem de um prontuário médico contendo a altura, o peso e o Índice de Massa Corporal (IMC) do indivíduo, simulando um desabafo sobre a rotina de atendimentos na unidade.
A postagem alcançou a marca de 100 mil visualizações antes de ser removida. A exclusão do conteúdo ocorreu após alertas de outros profissionais de saúde sobre a exposição de dados sensíveis e o caráter vexatório da publicação.
Implicações éticas e legais
Embora a instituição tenha afirmado em nota que não houve violação do sigilo do atendimento, a administração do hospital pontuou que a atitude do residente diverge das práticas adotadas pela unidade.
No âmbito jurídico, a exposição do prontuário é apontada como uma infração ética e uma violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). De acordo com a análise do advogado Henderson Furst, especialista em bioética, o Código de Ética Médica proíbe o compartilhamento de informações de pacientes, especialmente quando a divulgação ocorre em tom depreciativo.
O especialista ressalta que, mesmo na ausência do nome do paciente na imagem, a identificação pode ocorrer por parte do próprio indivíduo ou de seus familiares. Furst destaca ainda que a vulnerabilidade de quem busca o sistema de saúde torna a conduta inadmissível, independentemente das condições exaustivas de trabalho enfrentadas por profissionais da área.
Até o momento, não houve confirmação se o médico continua atuando na instituição ou se medidas administrativas foram aplicadas. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e o residente não responderam aos questionamentos sobre o episódio.