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Justiça da França condena Airbus e Air France por homicídio culposo no acidente do voo AF-447

21 de Maio de 2026 às 12:21

A Justiça da França condenou a Airbus e a Air France por homicídio culposo após a queda do voo AF-447 no Atlântico Sul em 2009. O acidente, que matou 228 pessoas, foi causado por falhas nas sondas pitot e manobras inadequadas da tripulação

Justiça da França condena Airbus e Air France por homicídio culposo no acidente do voo AF-447
Jornal Nacional/ Reprodução

A Justiça da França condenou a Airbus e a Air France por homicídio culposo devido ao acidente com o voo AF-447, ocorrido em 1º de junho de 2009. A aeronave, que realizava a rota Rio de Janeiro-Paris, caiu no Atlântico Sul, resultando na morte de 228 pessoas.

O desastre aconteceu após a aeronave, um Airbus A330-200, enfrentar uma tempestade. Durante a travessia, cristais de gelo se acumularam nas sondas pitot — tubos externos responsáveis por medir a velocidade do ar —, o que comprometeu a alimentação de dados dos computadores de bordo e do piloto automático. Embora a Air France estivesse ciente desse defeito e tivesse planejado a substituição das peças ao chegar em Paris, a falha técnica desencadeou a perda do controle automático do voo.

No momento da intercorrência, a cabine era operada pelo copiloto Pierre-Cédric Bonin, o menos experiente da tripulação, e pelo piloto David Robert. O comandante, Marc Dubois, estava em sua área de descanso. O relatório do órgão investigador francês (BEA) apontou nervosismo de Bonin diante das condições meteorológicas e a ausência de instruções claras por parte de Dubois antes de se retirar do cockpit.

Com o desligamento do piloto automático, o avião entrou no "modo alternado 2", transferindo a responsabilidade da sustentação para os pilotos. Bonin realizou manobras inadequadas, puxando a alavanca de comando (sidestick) para trás, o que elevou excessivamente o nariz da aeronave. Essa ação levou o avião a um estado de estol, onde a altitude era alta demais para a sustentação do ar e a inclinação impedia que os motores gerassem empuxo suficiente.

A configuração do Airbus, que utiliza alavancas laterais não conectadas, impediu que Robert percebesse imediatamente a manobra errônea do colega. Sob forte estresse e com alarmes contraditórios, a tripulação não conseguiu recuperar a aeronave. O comandante Dubois retornou ao cockpit apenas após dois minutos de tentativas de contato via interfone, mas a comunicação entre os três pilotos foi imprecisa e confusa.

A queda durou três minutos e 30 segundos, partindo de 11.500 metros de altitude. O impacto com o oceano ocorreu às 02h14min28 UTC, com a aeronave atingindo a água a uma velocidade vertical de aproximadamente 200 km/h. As causas precisas do acidente só foram esclarecidas quase dois anos depois, com a recuperação das caixas-pretas no fundo do mar.

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