Justiça da Itália reverte extradição de Carla Zambelli e determina a libertação da ex-deputada
A Suprema Corte de Cassação da Itália negou a extradição de Carla Zambelli e determinou sua libertação. A ex-deputada, condenada pelo STF a 10 anos de prisão, aguarda agora a decisão do ministro da Justiça italiano em até 45 dias
A Suprema Corte de Cassação da Itália reverteu a decisão que autorizava a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil, determinando que ela permaneça em território europeu. A nova decisão, divulgada nesta sexta-feira (22), também resultou na libertação da ex-parlamentar, que estava detida em uma penitenciária feminina na região de Roma.
Apesar do esgotamento das vias judiciais, a extradição ainda depende de uma manifestação do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. O ministro possui um prazo de 45 dias, a contar do acórdão, para emitir um parecer favorável ou contrário ao envio da ex-deputada ao Brasil.
Zambelli é considerada foragida da Justiça brasileira após ter deixado o país em maio, passando pelos Estados Unidos antes de se fixar na Itália, onde possui cidadania. A solicitação de extradição ocorreu após ela ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado, além de ser declarada inelegível e perder o mandato parlamentar.
A condenação, ocorrida em maio de 2025 por unanimidade da Primeira Turma do STF, envolveu os crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a ex-deputada e o hacker Walter Delgatti coordenaram ataques aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O objetivo seria desacreditar a Justiça e incitar atos antidemocráticos.
Pela invasão do CNJ, Zambelli e Delgatti — condenado a 8 anos e 3 meses de prisão — deverão pagar R$ 2 milhões em indenizações por danos morais e coletivos. O voto do relator, Alexandre de Moraes, foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Enquanto estava na Itália, a ex-parlamentar recebeu outra condenação do STF a 5 anos de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, referente a um episódio de 2022 em que perseguiu um homem armada em São Paulo.
A perda do mandato de Carla Zambelli também foi ratificada pelo STF. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes anulou a decisão da Câmara dos Deputados que a mantinha no cargo. Posteriormente, a Primeira Turma confirmou a perda imediata do mandato em plenário virtual, com votos unânimes dos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.
Em sua defesa, Zambelli manifestou o desejo de ser julgada na Itália, afirmando que provaria a ausência de envolvimento na invasão dos sistemas do CNJ. Anteriormente, a Justiça italiana havia mantido sua prisão sob a justificativa de risco de fuga.