Justiça

Justiça de Paris processa denúncias de violência sexual contra crianças em cem escolas da capital

26 de Maio de 2026 às 15:05

A Justiça de Paris processa denúncias de violência sexual contra crianças em cerca de cem escolas. David G., de 35 anos, é julgado por agressões a oito crianças e três colegas, enquanto dois monitores de uma creche, incluindo um brasileiro, foram presos preventivamente após 30 denúncias

Justiça de Paris processa denúncias de violência sexual contra crianças em cem escolas da capital
Dimitar Dilkoff/AFP

O sistema judiciário de Paris processa uma série de denúncias de violência sexual contra crianças em atividades extracurriculares, abrangendo aproximadamente cem escolas. Nesta terça-feira (26), David G., de 35 anos, monitor de pré-escola que cumpre prisão preventiva há quase um ano, enfrenta julgamento por agressões sexuais contra ao menos oito crianças. O réu também responde por assédio e agressão sexual contra três colegas de trabalho, podendo ser condenado a dez anos de reclusão. A audiência do acusado havia sido adiada de novembro após a saída de seu advogado do caso.

Recentemente, na sexta-feira (22), a Justiça determinou a prisão preventiva de dois monitores da creche pública Saint-Dominique, localizada no 7º distrito de Paris. Entre os indiciados por abuso sexual estão um camaronês, de 44 anos, e um brasileiro, C., de 51 anos. As investigações foram impulsionadas por cerca de 30 denúncias feitas por pais entre o final do ano passado e fevereiro deste ano, envolvendo vítimas com idades entre 2 e 4 anos.

O cenário nas pré-escolas da capital francesa é apontado como um reflexo de falhas estruturais nacionais. A precariedade nas condições de trabalho, a ausência de supervisão eficiente, o recrutamento sem rigor e a carência de formação para os monitores são fatores que contribuem para a magnitude dos casos.

Para a apuração desses crimes, a França adota protocolos rígidos de escuta das vítimas. As entrevistas ocorrem em espaços adequados, com linguagem adaptada à idade e perguntas abertas. Vincent Raffray, da Associação Francesa de Magistrados de Instrução (Afmi), detalha que os depoimentos são gravados para evitar a revitimização e o agravamento do trauma, embora a criança possa ser ouvida novamente sobre pontos específicos em processos complexos onde os fatos sejam contestados.

Apesar da centralidade do relato infantil, a condenação depende de elementos objetivos que corroborem a versão apresentada. O processo envolve perícias psiquiátricas para analisar a coerência do discurso, cabendo ao juiz a decisão final sobre a veracidade dos fatos com base no conjunto probatório.

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