Justiça de São Paulo nega prisão preventiva de motorista que atropelou tio de Guilherme Boulos
A Justiça de São Paulo negou a prisão preventiva de Amilton Jusselino Rodrigues, investigado por atropelar Carlos Boulos na Avenida 23 de Maio. O juiz aceitou a denúncia do Ministério Público e determinou a suspensão da CNH do condutor, além de medidas cautelares
A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva de Amilton Jusselino Rodrigues, investigado pelo atropelamento que resultou na morte de Carlos Boulos, de 80 anos, tio do ministro Guilherme Boulos. Apesar de indeferir a detenção, o juiz Daniel de Medeiros Silva Corró aceitou a denúncia do Ministério Público e impôs a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do condutor.
Medidas cautelares e processo
O magistrado determinou que o investigado cumpra obrigações específicas, como o comparecimento mensal em juízo e a proibição de mudar de endereço ou deixar sua residência sem prévia autorização judicial. A decisão estabeleceu ainda um prazo de dez dias para que a defesa apresente a resposta escrita à acusação.
Para a elucidação dos fatos, foram ordenadas a realização de exames necroscópicos e periciais. A negativa da prisão preventiva ocorreu sob o entendimento do juiz de que os requisitos legais para a medida não foram totalmente preenchidos, contrariando a solicitação da autoridade policial e do Ministério Público, que argumentavam a necessidade de garantir a ordem pública e citavam a fuga do suspeito do local do crime.
Dinâmica do atropelamento
O incidente aconteceu na noite de sábado (3), na Avenida 23 de Maio, no centro da capital paulista. De acordo com registros do 78º Distrito Policial (Jardins), Carlos Boulos teria descido de sua caminhonete para questionar o motorista do veículo que estava atrás após uma discussão de trânsito.
A versão inicial da polícia indica que o condutor avançou propositalmente contra a vítima, que sofreu ferimentos graves na cabeça ao cair, vindo a falecer dias depois. O episódio foi registrado em vídeo por uma testemunha e presenciado por outras duas pessoas, o que possibilitou a identificação da placa do carro. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) havia registrado a ocorrência inicialmente como tentativa de homicídio.
Argumentos da defesa
A defesa de Amilton Jusselino Rodrigues nega a intenção de matar ou de atingir a vítima deliberadamente. Os advogados sustentam que a saída do local ocorreu para proteger a esposa e o filho, pois o motorista teria se sentido ameaçado.
Segundo a representação legal, a dinâmica real do atropelamento deve ser comprovada por meio de perícias e imagens. O advogado Natan Tolintino afirmou que é precipitado concluir que houve intenção criminosa enquanto o caso segue em apuração. O motorista, que não foi preso em flagrante, prestou depoimento à Polícia Civil e permanece à disposição das autoridades.