Justiça francesa condena Airbus e Air France por homicídio culposo no acidente do voo AF447
A Justiça francesa condenou a Airbus e a Air France por homicídio culposo no acidente do voo AF447, que causou 228 mortes em 2009. Ambas as empresas foram multadas em 225 mil euros cada
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A Justiça francesa condenou a Airbus e a Air France por homicídio culposo em relação ao acidente com o voo AF447, ocorrido em 1º de junho de 2009. A sentença, proferida nesta quinta-feira (21), define as duas companhias como as únicas responsáveis pelo pior desastre aéreo da história da França, que resultou na morte de 228 pessoas de 33 nacionalidades diferentes.
A decisão judicial impõe a multa máxima de 225 mil euros para cada empresa, valor que atende ao pedido da promotoria durante o julgamento de oito semanas. Embora as famílias das vítimas, compostas majoritariamente por franceses, brasileiros e alemães, considerem a quantia simbólica diante do faturamento das companhias, grupos de parentes afirmaram que a condenação reconhece o sofrimento enfrentado. Daniele Lamy, presidente da associação de vítimas e mãe de um dos passageiros, declarou que a justiça foi plenamente feita.
O desfecho ocorre após um longo percurso jurídico. Em 2023, um tribunal de instância inferior havia absolvido as empresas sob o argumento de que, apesar de negligências e imprudências, não havia nexo causal comprovado com a queda. No entanto, o Ministério Público recorreu ao tribunal de apelação de Paris em novembro do ano passado, solicitando a condenação por homicídio culposo. Durante o processo, as empresas negaram as acusações e atribuíram a tragédia a erros de decisão dos pilotos durante a emergência.
A base da acusação do Ministério Público sustentou que falhas estruturais de ambas as organizações contribuíram para o acidente. A Airbus foi apontada por subestimar a gravidade de problemas nas sondas Pitot — sensores de velocidade da aeronave — e por demorar a alertar as companhias aéreas. Já a Air France foi responsabilizada por não fornecer treinamento adequado aos pilotos para lidar com o congelamento desses sensores, além de omitir informações sobre os riscos.
O voo, operado por um Airbus A330-200, desapareceu dos radares em 2009 e as caixas-pretas foram localizadas no fundo do oceano apenas dois anos depois. A investigação conduzida pelo órgão francês BEA concluiu, em 2012, que o congelamento das sondas Pitot em área de instabilidade climática próxima à Linha do Equador levou a tripulação a reagir incorretamente, resultando em estol, condição em que a aeronave perde a sustentação.
Apesar da sentença, advogados franceses preveem que a disputa possa se prolongar por mais alguns anos, com a possibilidade de novos recursos ao tribunal superior do país.