Justiça

Ligue 180 registra mais de um milhão de atendimentos nos primeiros sete meses de 2026

30 de Agosto de 2026 às 07:09 3 min de leitura

O Ligue 180 registrou 1.035.647 atendimentos entre janeiro e julho de 2026, com média diária de 4.884 chamadas. O serviço do Ministério das Mulheres oferece acolhimento, orientações e registro de denúncias via telefone, WhatsApp e e-mail. As demandas são encaminhadas ao Ministério Público, órgãos de Segurança Pública e pastas estaduais

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A Central de Atendimento às Mulheres, conhecida como Ligue 180, registrou 1.035.647 atendimentos entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2026. O volume, gerenciado pelo Ministério das Mulheres, representa uma média diária de 4.884 chamadas e equivale a 95% de toda a demanda contabilizada no ano anterior.

De acordo com Estela Bezerra, secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, a alta nos números reflete a maior confiança no serviço e a disseminação de informações sobre o canal. A secretária aponta que a pauta, impulsionada por instituições públicas e privadas, além da maior exposição de casos de violência via câmeras de segurança, tem motivado a busca por auxílio. O serviço é acionado não apenas pelas vítimas, mas também por familiares, vizinhos e amigos.

Estrutura e suporte profissional

A operação em Brasília conta com um quadro de aproximadamente 370 profissionais, incluindo gestoras, capacitadoras, psicólogas e atendentes. Devido à carga emocional dos relatos, a equipe recebe suporte psicológico semanal, com sessões individuais ou coletivas de cerca de uma hora e meia.

Fabiana Emir da Silva, coordenadora de Psicologia e Treinamento da central, explica que a preparação técnica visa equilibrar a empatia com o distanciamento profissional. O objetivo é garantir um atendimento imparcial e evitar a revitimização das mulheres. O apoio psicológico também é disponibilizado de forma imediata em casos de desestabilização durante o turno de trabalho.

Dinâmica dos atendimentos

O serviço atua no acolhimento, na orientação sobre direitos e políticas públicas e no registro de denúncias. A rotina das atendentes inclui casos complexos, como situações de cárcere privado com ausência de apoio familiar, violência doméstica contra idosas praticada por filhos e chamadas efetuadas por crianças.

Juliana Costa, diretora da Central de Atendimento, ressalta que a função do canal extrapola a denúncia, servindo como ponte para a rede de proteção disponível.

Canais de denúncia e fluxo processual

O Ligue 180 opera 24 horas por dia, todos os dias da semana, com atendimento em português, inglês e espanhol. As denúncias, que podem ser anônimas ou identificadas, são recebidas por três vias:

Após o registro, é gerado um número de protocolo e a demanda é encaminhada ao Ministério Público e aos órgãos de Segurança Pública para a devida apuração criminal. Simultaneamente, a pasta estadual responsável pelas políticas para mulheres é notificada. O acompanhamento do caso pode ser feito via central, mediante a apresentação do CPF do denunciante ou do protocolo.

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