Justiça

Mensagens revelam diálogos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro sobre operação da Polícia Federal

01 de Setembro de 2026 às 15:39 3 min de leitura

Mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelaram diálogos sobre a operação da Polícia Federal que resultou na prisão de Vorcaro em 17 de novembro. O ex-dono do Banco Master é investigado por gestão fraudulenta e estelionato em um esquema de inflação artificial do valor da instituição

-0:00
Mensagens revelam diálogos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro sobre operação da Polícia Federal
Reprodução/Rosinei Coutinho/STF

Mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelaram diálogos sobre a iminência de uma operação da Polícia Federal contra o ex-dono do Banco Master. O conteúdo, que integra um relatório da PF enviado ao STF, teve o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça e foi encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Articulação e prisão de Daniel Vorcaro

As conversas indicam que Moraes e Vorcaro discutiam a possibilidade de a PF deflagrar a ação policial que teria o banqueiro como alvo. No sábado, 15 de novembro de 2025, Vorcaro questionou o ministro se deveria estar "fora" já na segunda-feira seguinte. No domingo, dia 16, o ex-banqueiro enviou novo questionamento via WhatsApp e sugeriu um encontro às 14h, indagando se a reunião ocorreria na residência de Moraes ou na dele, afirmando estar "perplexo".

A prisão de Daniel Vorcaro ocorreu na noite de segunda-feira, 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de São Paulo, no momento em que ele tentava embarcar em um jato particular.

Esquema de fraude no Banco Master

As investigações da Polícia Federal apontam que o Banco Master operava um sistema para inflar artificialmente seu valor, simulando uma solidez financeira inexistente para atrair bilhões de reais de investidores e viabilizar operações sem garantias reais.

Para sustentar essa aparência de riqueza, a instituição mantinha a criação de documentos artificiais, como planilhas, extratos, procurações e contratos. Esses registros eram utilizados para simular empréstimos e operações financeiras fictícias. Em diversos relatos, pessoas listadas como clientes negaram a existência dos empréstimos registrados em seus nomes.

Entre as irregularidades detectadas, destacam-se:

  • Superavaliação de ativos: Títulos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), adquiridos por aproximadamente R$ 850 mil, foram registrados com valor superior a R$ 10 bilhões.
  • Emissão de títulos: O banco emitiu R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de juros acima do mercado, sem comprovar a liquidez necessária para o pagamento futuro.
  • Falhas técnicas: O Banco Central identificou inconsistências graves em CDBs que eram incompatíveis com operações reais.

Implicações legais

A conduta do grupo é investigada sob a suspeita de gestão fraudulenta (Artigo 4º da Lei 7.492/86) e estelionato (Artigo 171 do Código Penal). As penas previstas para a gestão fraudulenta variam de 3 a 12 anos de reclusão, enquanto o estelionato prevê detenção de 1 a 5 anos.

Notícias Relacionadas