Meta é julgada por projetar redes sociais para criar dependência em crianças e adolescentes
Um tribunal federal na Califórnia julga a Meta por acusações de 29 estados americanos sobre o design viciante do Facebook e Instagram para menores. A ação envolve a coleta inadequada de dados e a priorização de lucros sobre a segurança de crianças e adolescentes. O processo será decidido por um júri de oito pessoas em um período de quatro a seis semanas
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F078%2F340%2F26d%2F07834026d821a24b190f85d9486f69bd.jpg)
Um tribunal federal em Oakland, na Califórnia, iniciou um julgamento histórico contra a Meta, no qual 29 estados americanos acusam a companhia de projetar deliberadamente o Facebook e o Instagram para criar dependência em crianças e adolescentes. A ação judicial busca forçar mudanças estruturais nas plataformas, sob a alegação de que a empresa priorizou lucros em detrimento da segurança dos menores, resultando em danos físicos e emocionais que, em casos extremos, levaram ao óbito.
Acusações de negligência e coleta de dados
A equipe jurídica dos acusadores, liderada pela procuradora adjunta da Califórnia, Megan O'Neill, sustenta que a empresa fundadora de Mark Zuckerberg omitiu a verdade sobre os riscos de suas redes sociais. Segundo a promotoria, a Meta optou repetidamente por manter funcionalidades que favorecem a rentabilidade financeira em vez de implementar medidas de segurança para o público jovem.
Além do estímulo a comportamentos viciantes, a companhia é acusada de violar a legislação federal ao realizar a coleta e utilização inadequada de dados pessoais de menores de idade. O processo integra uma ofensiva jurídica mais ampla que também atinge outras gigantes da tecnologia, como TikTok, Google e Snap.
Defesa e medidas de controle
Em resposta, o advogado Paul Schmidt afirmou que a Meta discorda integralmente das acusações. A defesa argumentou que a empresa tem investido em melhorias para o bem-estar dos usuários, citando uma pesquisa interna onde 20% dos adolescentes relataram sentir-se pior ao utilizar o Instagram.
Para comprovar a fiscalização da base de usuários, a defesa destacou a remoção de 600 mil contas de pessoas com menos de 13 anos nos últimos três meses.
Testemunhos e expectativas do julgamento
O processo contou com o depoimento de Arturo Bejar, ex-colaborador da Meta, que relatou ter alertado a alta gestão sobre danos evitáveis causados pelo design do Instagram. Fora do tribunal, a empresa enfrentou manifestações de pais que também processam a companhia por prejuízos causados aos filhos.
O procurador Rob Bonta, da Califórnia, enfatizou que o objetivo é extinguir a disseminação de informações enganosas ao público e alterar funcionalidades que promovam o uso compulsivo e obsessivo das redes. Caso a condenação seja confirmada, a Meta poderá ser obrigada a:
- Pagar multas financeiras;
- Devolver lucros obtidos ilicitamente;
- Efetuar compensações financeiras.
O julgamento, que deve durar entre quatro e seis semanas, será decidido por um júri de oito pessoas, cujas recomendações subsidiarão o veredicto final da juíza Yvonne Gonzalez Rogers. A expectativa é que o CEO da companhia, Mark Zuckerberg, e o executivo do Instagram, Adam Mosseri, sejam convocados a depor.