Ministério da Justiça lança centro de inteligência para impedir crimes planejados dentro de presídios
O Ministério da Justiça e Segurança Pública inicia este mês as atividades do Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip) para unificar protocolos de segurança e combater crimes coordenados em presídios. O órgão coordenará a Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (Renipen), integrando polícias penais da União, estados e Distrito Federal

O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou que o Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip) entrará em operação ainda neste mês. A nova estrutura tem como objetivo central unificar protocolos de segurança e impedir que crimes sejam planejados e coordenados de dentro de presídios em todo o território brasileiro.
O Cnip será o órgão responsável por coordenar a Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (Renipen), integrando as polícias penais da União, dos estados e do Distrito Federal. O centro atuará de forma contínua na consolidação e difusão de dados de inteligência, além de monitorar crises e fornecer suporte técnico para a tomada de decisões da Secretaria Nacional de Políticas Penais e demais entes federativos.
Combate ao crime organizado e telefonia ilegal
A estratégia do governo federal foca na interrupção da comunicação entre membros de organizações criminosas. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou que a integração entre forças federais e estaduais é a única via para barrar a entrada de aparelhos celulares nos presídios.
Para o ministro, a presença de telefones no sistema prisional está ligada a um ciclo criminoso que envolve furto, roubo e receptação. A regularização dessa questão é vista como prioritária para a melhoria da percepção de segurança pública da população.
Resultados de operações e estatísticas
Como parte das ações de enfrentamento, o ministério detalhou os resultados da Operação Última Chamada, ocorrida entre 10 e 19 de agosto. O balanço aponta:
- 6.052 aparelhos celulares recuperados;
- 97 prisões em flagrante;
- 227 comércios fiscalizados;
- Mais de 33 mil alertas emitidos para detentores de aparelhos irregulares.
No âmbito específico do sistema penitenciário, operações realizadas entre maio e agosto, em parceria com estados e o DF, resultaram na apreensão de 2.254 celulares. A ação envolveu a revista de quase 9,9 mil celas em 295 unidades prisionais.
Quanto aos índices de criminalidade, houve uma redução de 4,5% nos roubos e furtos de celulares, que caíram de 225.644 ocorrências no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026.
O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, reforçou que romper o ciclo de comércio ilegal de aparelhos no sistema prisional é essencial para diminuir a incidência de golpes e a execução de crimes letais intencionais que impactam a sociedade.