Ministério Público de São Paulo determina perícia em montanha-russa do Hopi Hari após acidente
O Ministério Público de São Paulo investiga um acidente na montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, que causou traumatismo cranioencefálico e sequelas motoras e cognitivas em Júlia Bossoni. O órgão determinou perícia técnica na atração, enquanto a empresa afirma que o brinquedo possui certificação internacional e segue normas técnicas
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O Ministério Público de São Paulo investiga as circunstâncias de um acidente ocorrido na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari, que resultou em graves sequelas para a jovem Júlia Bossoni. A família da vítima também ingressou com uma ação judicial para obter esclarecimentos sobre o episódio. Como parte da apuração, o órgão ministerial determinou a realização de uma perícia técnica na atração.
Diagnóstico e quadro clínico
De acordo com laudos médicos, a jovem sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) provocado por um mecanismo de contragolpe. Esse tipo de lesão ocorre quando o cérebro se desloca rapidamente dentro do crânio devido a forças intensas de aceleração e desaceleração, gerando danos no lado oposto ao ponto de impacto ou ao movimento inicial, mesmo sem que haja um choque direto na cabeça.
Júlia deixou a atração desacordada e foi internada em estado grave na Santa Casa de Vinhedo, onde exames detectaram edema cerebral e hemorragia intracraniana. Para tratar o inchaço do órgão, a paciente foi submetida a uma craniectomia descompressiva e permaneceu hospitalizada por 57 dias.
Cinco meses após o acidente, a jovem segue em recuperação e já passou por sete cirurgias. O quadro atual inclui falhas de memória, dificuldades na fala e a perda dos movimentos do lado esquerdo do corpo. O tratamento envolve agora fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia.
Posicionamento do parque
Em nota, o Hopi Hari informou que a montanha-russa Montezum possui certificação internacional do grupo TÜV Nord e passa por inspeções anuais. A administração afirmou que a atração segue a norma ABNT NBR 15926-2023 e que existem avisos sonoros e placas alertando que o brinquedo é radical, sendo contraindicado para gestantes, pessoas com problemas na coluna ou condições clínicas específicas.
O parque detalhou que a visitante utilizou a atração duas vezes no mesmo dia, sendo que o acidente ocorreu na segunda passagem, por volta das 16h30. A empresa declarou ter custeado as despesas hospitalares em Vinhedo, mantido suporte jurídico à família e franqueado um seguro.
Segurança e fiscalização
A administração do parque destacou um parecer do Ministério Público de São Paulo, emitido em agosto de 2026, que descarta a existência de risco coletivo, negligência ou defeitos no projeto da Montezum. O documento teria sido elaborado após a análise de engenheiros do CAEx e a apuração de um caso isolado de dores no pescoço ocorrido em julho.
Sobre queixas registradas em plataformas de reclamação, o Hopi Hari classificou o volume como irrisório diante do fluxo de visitantes — cerca de 40 relatos para 1,2 milhão de pessoas que utilizaram a atração nos últimos dois anos. O parque informou ainda que uma reforma na montanha-russa está programada para o final de 2026.