Justiça

Ministro do STF vota pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro

22 de Maio de 2026 às 12:14

O ministro André Mendonça, do STF, votou pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias na Operação Compliance Zero. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (22) pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro. O empresário, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, foi detido em 7 de maio por determinação da Corte no contexto da Operação Compliance Zero, na qual a Polícia Federal o identifica como a peça central do núcleo financeiro-operacional.

O julgamento foi interrompido após o pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que solicitou mais tempo para analisar o processo. O magistrado também pediu vista em outro caso relacionado: a prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, ocorrida na semana passada.

Ao fundamentar a decisão, Mendonça argumentou que a custódia é essencial para preservar a ordem pública e impedir a continuidade de crimes, apontando que o investigado manteve práticas ilícitas mesmo após fases ostensivas da operação. O relator destacou que Felipe assumiu o protagonismo da organização criminosa após a prisão de Daniel Vorcaro.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias no sistema financeiro, com foco em atividades do Banco Master. A suspeita é de que o grupo emitisse títulos de crédito sem lastro e prometesse rentabilidades atípicas, movimentando bilhões de reais. Relatórios de inteligência do Coaf indicam que, entre 2019 e 2026, houve movimentações de aproximadamente R$ 18,4 bilhões, posicionando Felipe como beneficiário central de fluxos ligados a Daniel.

Entre as evidências citadas, consta a criação da empresa Infrasolar Holding Ltda. em abril de 2026. Apesar de ter um capital social de apenas R$ 1 mil, a companhia realizou uma operação financeira superior a R$ 132 milhões poucos dias após ser constituída. Interceptações da Polícia Federal revelaram a intenção de criar estruturas societárias para "descer capital" e "descarimbar" recursos, termos que indicariam a tentativa de ocultar a origem do dinheiro.

A investigação também aponta irregularidades envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Felipe Vorcaro teria operado a transferência de 30% de uma empresa para a família do parlamentar com um deságio acima de R$ 12 milhões, além de viabilizar repasses mensais ao político entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

A conduta de Felipe durante diligências policiais também pesou na decisão. Em janeiro, durante a segunda fase da operação, o empresário deixou uma residência no condomínio Terravista, em Trancoso (BA), minutos antes da chegada dos agentes. Imagens de segurança mostram que ele consultou o celular repetidamente e fugiu em um carrinho de golfe, levando apenas aparelhos eletrônicos e deixando pertences pessoais e o ar-condicionado ligados. Para a PF, a dinâmica sugere que ele foi alertado sobre a ação.

Para o ministro Mendonça, a alta capacidade de reorganização do grupo torna insuficientes as medidas cautelares alternativas, afirmando que a liberdade do investigado prejudicaria a eficácia da investigação e a aplicação da lei penal.

Com informações de G1

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