Moraes e Mendonça discutem no STF após liberação de relatórios da Polícia Federal
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça discutiram no STF sobre a liberação de relatórios da Polícia Federal envolvendo o Banco Master. Moraes alegou fraude e parcialidade, enquanto Mendonça negou as acusações. O presidente Edson Fachin separou os julgamentos, marcando a análise das denúncias contra Mendonça para 23 de setembro
Um embate direto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça marcou a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). A discussão ocorreu durante o julgamento sobre a crise instaurada na Corte a partir das investigações do caso Master.
O conflito central gira em torno da atuação da Polícia Federal e da relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A tensão escalou após Mendonça, relator do caso, levantar o sigilo de relatórios da PF que detalham 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, além de reuniões presenciais e um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Acusações de parcialidade e fraude
Durante a sessão, Alexandre de Moraes defendeu que as apurações sobre sua conduta e a postura de André Mendonça no relatório da PF fossem analisadas de forma conjunta. Moraes acusou o colega de agir com parcialidade e de realizar uma liberação "seletiva" de documentos, omitindo provas. O ministro afirmou ainda que a investigação utilizada por Mendonça para questionar sua conduta é fraudulenta.
Em resposta, André Mendonça negou as acusações, argumentando que o sigilo foi mantido apenas para proteger dados de terceiros e a integridade de investigações em curso.
O clima de hostilidade resultou em trocas de farpas verbais. Moraes sugeriu que Mendonça estaria a serviço de um grupo político interessado em um golpe de Estado ao solicitar a inclusão de Moraes nas apurações. Mendonça rebateu as afirmações, classificando-as como mentira, momento em que Moraes propôs a convocação de testemunhas.
Acesso a provas e decisões do STF
A disputa também abrangeu o acesso ao conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes solicitaram a íntegra do material. Após determinação de Zanin, a PF confirmou a entrega das cópias digitais aos três gabinetes na segunda-feira (14), medida que contou com a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Sobre a natureza das provas, Moraes ressaltou que os relatórios de inteligência da PF usados para pedir a investigação contra Mendonça não são apócrifos, tendo sido elaborados por delegados da corporação.
Divisão dos julgamentos
Para mediar o conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a separação dos processos:
- Terça-feira (15): O Plenário analisou o caso referente às mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
- 23 de setembro: Data definida para o julgamento das acusações de Moraes contra André Mendonça, devido à existência de prazos de instrução ainda em aberto.