Justiça

MPF denuncia 12 pessoas por contrabando de migrantes para os Estados Unidos

26 de Agosto de 2026 às 09:38

O Ministério Público Federal denunciou 12 pessoas por integrar organização criminosa de contrabando de migrantes para os Estados Unidos entre 2017 e 2023. O esquema, liderado por uma família de Minas Gerais, teria movimentado mais de R$ 40 milhões e viabilizado a travessia ilegal de ao menos 673 brasileiros, incluindo 223 menores

-0:00

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra 12 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa transnacional voltada ao contrabando de migrantes para os Estados Unidos. O esquema, operado entre 2017 e 2023, é considerado um dos maiores do gênero no Brasil, com a viabilização da travessia ilegal de ao menos 673 brasileiros.

A estimativa é que a atividade ilícita tenha movimentado mais de R$ 40 milhões. Os acusados respondem pelos crimes de organização criminosa, contrabando de migrantes, lavagem de dinheiro e uso de documento falso, permanecendo em liberdade.

Estrutura e Operação do Grupo

A rede era liderada por uma família residente em Governador Valadares, Minas Gerais. Dois irmãos comandavam a captação das vítimas e a logística de transporte até a fronteira entre o México e os Estados Unidos. O pai dos líderes também integrava a estrutura, enquanto outros parentes atuavam na lavagem de capitais. Ao todo, cinco dos 12 denunciados fazem parte do mesmo núcleo familiar.

Para financiar a operação e ocultar a origem dos recursos, o grupo utilizava contas bancárias abertas com documentos falsos ou em nome de terceiros. A investigação identificou mais de 300 transações bancárias diretas realizadas pelas vítimas para os irmãos líderes.

Métodos de Coação e Recrutamento

O custo para a travessia clandestina variava entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por pessoa. Para atrair novos clientes, a organização exigia que os migrantes gravassem depoimentos elogiosos sobre o serviço, vídeos que eram posteriormente utilizados como ferramenta de convencimento.

Além do pagamento em dinheiro, o grupo impunha garantias financeiras rigorosas aos migrantes, que eram obrigados a:

  • Entregar veículos;
  • Assinar notas promissórias e termos de confissão de dívida;
  • Outorgar procurações para a alienação de imóveis em favor dos operadores do esquema.

Vulnerabilidade de Menores

Um ponto central da investigação, conduzida pela Polícia Federal por meio da Operação Siblings, foi a exploração de crianças no processo migratório. O grupo incentivava adultos a realizarem a travessia acompanhados de menores, sob a justificativa de que isso reduziria as chances de deportação ao ingressarem em território americano. Dos migrantes identificados como vítimas, ao menos 223 eram menores de idade.

Com informações de G1

Notícias Relacionadas