MPRJ identifica ambiente propício à corrupção no Rio de Janeiro após desvio de R$ 80 milhões
O Ministério Público do Rio de Janeiro desarticulou um esquema de desvio de R$ 80 milhões no Instituto Rio Metrópole. A operação resultou na prisão de seis agentes, na execução de nove mandados de busca e na denúncia de 11 pessoas por fraude, corrupção e organização criminosa
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou a existência de um ambiente institucional propício à corrupção no estado, conforme declarou o procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira. A análise ocorreu durante coletiva sobre a operação que desarticulou um esquema de desvio de verbas no Instituto Rio Metrópole, envolvendo contratos de R$ 80 milhões. A ação penal, movida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal, resultou na prisão de seis agentes e na execução de nove mandados de busca e apreensão, com 11 pessoas denunciadas por fraude em licitação, corrupção e organização criminosa.
Moreira informou que a investigação sobre o Rio Metrópole foi iniciada antes do recebimento de documentos do governo estadual, embora as informações posteriormente enviadas pelo Executivo tenham aprofundado as apurações. O procurador destacou que a atual configuração do estado, com a chefia do Poder Executivo exercida transitoriamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, favorece a atuação integrada e independente entre as instituições para a apuração de atos de improbidade administrativa e crimes.
Para viabilizar esse processo, foi criado um fluxo independente de encaminhamento de informações, que fundamentou o caso do instituto e outros procedimentos em andamento. O procurador-geral enfatizou a necessidade de realizar uma limpeza nas estruturas estaduais, diante da detecção de esquemas de desvio de recursos em diversos setores, e afirmou que a responsabilização alcançará inclusive quem efetuou as nomeações e indicações que formaram esses núcleos corruptos.
Complementando a estratégia de combate às irregularidades, o secretário do Gabinete de Segurança Institucional do Estado do Rio de Janeiro (GSI-RJ), Roberto Lisandro Leão, detalhou a implementação de auditorias permanentes em contratos e na área de pessoal. O sistema foi desenhado para que qualquer indício de irregularidade seja enviado imediatamente ao Ministério Público.
A operação contou ainda com o suporte do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. O delegado André Timoni explicou que o órgão atuou na produção de relatórios de inteligência financeira e no rastreamento da movimentação dos recursos desviados, fornecendo dados estratégicos para o aprofundamento das investigações patrimoniais.