Justiça

MPSP processa Tools for Humanity e Amazon por coleta irregular de dados biométricos em São Paulo

22 de Julho de 2026 às 12:00

O Ministério Público de São Paulo moveu ação civil pública contra a Tools for Humanity e a Amazon AWS por coletar dados biométricos de íris de mais de 400 mil pessoas. A promotoria aponta irregularidades na captação de dados em troca de pagamentos e pede a exclusão das informações e indenização de R$ 240 milhões

MPSP processa Tools for Humanity e Amazon por coleta irregular de dados biométricos em São Paulo
© PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ingressou, nesta segunda-feira (21), com uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. A medida jurídica questiona a legalidade da coleta de dados biométricos de íris de consumidores no estado de São Paulo.

A promotoria fundamenta a ação em indícios de publicidade enganosa, vício no consentimento e exploração da vulnerabilidade dos usuários. De acordo com o MPSP, a captação de dados ocorreu prioritariamente em áreas periféricas e locais de grande fluxo, como unidades do Poupatempo e estações de metrô, focando em pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica que recebiam compensações financeiras pelo procedimento.

Irregularidades e descumprimento de normas

A investigação aponta que a coleta de biometria foi realizada em troca de recompensas que oscilavam entre R$ 300 e R$ 700, atingindo mais de 400 mil pessoas. O MPSP destaca que a empresa continuou a oferecer benefícios internos via aplicativo World App, ignorando a determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que havia suspendido a oferta de criptomoedas ou qualquer pagamento financeiro pela coleta da íris.

Além disso, a promotoria argumenta que houve falta de transparência. Os consumidores não teriam sido informados adequadamente sobre:

  • A finalidade econômica do projeto;
  • Os riscos inerentes ao tratamento de dados biométricos;
  • A transferência de informações para o exterior;
  • O armazenamento de dados em servidores da Amazon Web Services.

Pedidos judiciais e indenizações

Em caráter liminar, o MPSP solicita a preservação de todos os metadados, registros e informações processadas, além da entrega de relatórios técnicos e contratos de armazenamento.

No mérito, a ação requer que a Justiça declare as práticas como abusivas e proíba definitivamente a coleta de íris mediante contrapartida financeira. O órgão pede ainda a exclusão irreversível dos dados já obtidos e a condenação das rés ao pagamento de ao menos R$ 240 milhões a título de danos morais coletivos, além da reparação de prejuízos individuais.

O processo tem como base o relatório final da CPI da Íris, instaurada pela Câmara Municipal de São Paulo para investigar a operação do Projeto World ID na capital.

Com informações de Agência Brasil

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