Justiça

PF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de desvio de emendas parlamentares

12 de Julho de 2026 às 15:02

A Polícia Federal bloqueou R$ 6 milhões de Eduardo Cunha após identificar desvio de emendas parlamentares. A investigação aponta que a servidora Mariângela Fialek redirecionava verbas para o ex-deputado com a anuência da Presidência da Câmara. A defesa nega as irregularidades e afirma que os valores eram destinados a municípios ou beneficiários públicos

PF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de desvio de emendas parlamentares
Ueslei Marcelino/Reuters

A Polícia Federal identificou a existência de um esquema de desvio de emendas parlamentares que resultou no bloqueio de R$ 6 milhões vinculados ao ex-deputado Eduardo Cunha. As investigações, originadas da "Operação Transparência" deflagrada em dezembro do ano passado, apontam que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", atuava com a anuência da Presidência da Casa para redirecionar verbas em benefício do ex-presidente do Legislativo.

De acordo com o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a análise de dados do aparelho celular de Fialek revelou a operação de um arranjo decisório paralelo. Nesse sistema, Eduardo Cunha, mesmo sem exercer mandato parlamentar, atuava como peça central na definição e no remanejamento de emendas. A PF sustenta que a utilização dos serviços da servidora para destinar recursos conforme interesses pessoais configura crime de peculato, visto que a indicação de emendas é uma prerrogativa exclusiva de parlamentares em exercício.

O inquérito que atingiu Cunha é o mesmo que levou ao bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também por irregularidades na indicação de emendas.

A defesa de Eduardo Cunha afirmou que o ex-deputado não foi intimado sobre os fatos e soube do bloqueio patrimonial por meio da imprensa. Os advogados argumentam que Cunha não formalizou nem subscreveu as emendas citadas, defendendo que a interlocução política não deve ser confundida com o exercício clandestino de mandato. A defesa esclareceu ainda que o valor de R$ 6,15 milhões refere-se ao montante global das emendas destinadas a municípios ou beneficiários públicos, e não a vantagens recebidas pelo ex-deputado. Os advogados informaram que buscarão acesso integral aos autos para impugnar as medidas e exercer o contraditório.

A assessoria da Presidência da Câmara dos Deputados não respondeu aos questionamentos sobre o caso.

Com informações de G1

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