PF cumpre mandados contra deputado Cezinha de Madureira por suposta venda de influência em tribunais superiores
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado Cezinha de Madureira e a advogada Valéria Rodrigues Linhares por suspeita de tráfico de influência em tribunais superiores. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, investiga a negociação de decisões judiciais com valores entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões
A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (14), mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e a advogada Valéria Rodrigues Linhares, apontada como esposa do parlamentar. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga a suposta venda de influência junto a tribunais superiores.
Esquema de tráfico de influência
A operação é um desdobramento da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025, que apura crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e tráfico de influência em processos de cortes superiores.
De acordo com as investigações da PF, o grupo operava com divisões de tarefas específicas:
- Cezinha de Madureira: Utilizava seu cargo legislativo e trânsito parlamentar para realizar contatos e despachos com ministros.
- Valéria Rodrigues Linhares: Responsável pela formalização de cessões de crédito e contratos de honorários de êxito.
- Mariângela Fialek ("Tuca"): Ex-servidora da Câmara, atuava na redação de memoriais técnicos e na captação de processos.
O ministro Flávio Dino fundamentou a decisão ao apontar que o deputado teria usado sua função para simular influência sobre decisões de ministros de tribunais superiores, negociando tal prestígio com terceiros.
Valores e evidências
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam negociações de causas com valores elevados, incluindo defesas da prefeita de Beberibe (CE) e de um ex-secretário de Belford Roxo (RJ). As previsões de pagamento para esses casos oscilavam entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões.
Entre as provas reunidas no inquérito, consta a apreensão de R$ 510 mil em espécie com Valéria Linhares, ocorrida em agosto de 2026, no Aeroporto de Congonhas (SP).
Posicionamento da Justiça e da Defesa
No despacho, o ministro Flávio Dino deixou claro que magistrados do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não são alvos da investigação e não cometeram irregularidades. Para o relator, as autoridades são vítimas da mercancia da influência praticada por quem a ofereceu e precificou.
Em nota divulgada pelo escritório Carneiros Advogados, a defesa de Cezinha de Madureira negou qualquer irregularidade e afirmou que o parlamentar possui conduta ilibada, colocando-o à disposição das autoridades. Os advogados questionaram o momento da operação, argumentando que, conforme a jurisprudência do STF, ações com tamanha repercussão deveriam evitar proximidade com contextos políticos ou eleitorais.