Justiça

PF cumpre mandados de busca e apreensão em operação sobre financiamento de filme de Bolsonaro

10 de Setembro de 2026 às 07:00 3 min de leitura

A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão contra a produtora Karina Gama, o deputado Mario Frias e outras 20 pessoas para investigar o financiamento do filme Dark Horse. A ação ocorre após a delação de Antonio Carlos Freixo Junior, que admitiu repasses de US$ 12,333 milhões ao fundo Havengate. A investigação apura se os recursos foram destinados à obra ou desviados para outras finalidades

-0:00
PF cumpre mandados de busca e apreensão em operação sobre financiamento de filme de Bolsonaro
Reprodução

A Polícia Federal cumpre, nesta quinta-feira (10), mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga o financiamento do longa-metragem Dark Horse, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação, sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como alvos a produtora do filme, Karina Gama, o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outras 20 pessoas.

Fluxo financeiro e a delação de "Mineiro"

A investigação ganhou novos elementos após o ministro André Mendonça, do STF, homologar na última quarta-feira (9) a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro". Proprietário da Entre Investimentos, o empresário admitiu ter realizado repasses para o filme a pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que por sua vez teria sido acionado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em seu acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto, Mineiro detalhou que a Entre Investimentos efetuou sete transferências para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. As operações, realizadas entre janeiro e setembro de 2025, totalizaram US$ 12,333 milhões (aproximadamente R$ 62,8 milhões na cotação da época), sob a justificativa de subscrição de cotas.

O fundo Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos EUA. Documentos entregues por Mineiro, incluindo e-mails e comprovantes, revelam que a operação foi formalizada por meio de uma carta de compromisso em janeiro de 2025.

Divergências de valores e datas

Os relatos do delator contradizem declarações anteriores do senador Flávio Bolsonaro. Enquanto o parlamentar afirmava que o último aporte de Vorcaro ocorreu em maio de 2025, os registros de Mineiro comprovam um pagamento de US$ 1,666 milhão efetuado em setembro daquele ano.

A investigação apura se a totalidade dos recursos foi efetivamente destinada à produção do filme, como alegam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se parte do montante foi desviada para outras finalidades, incluindo a manutenção de Eduardo Bolsonaro em território americano.

Outras frentes de investigação

Além do financiamento do filme, a Polícia Federal analisa a movimentação de capitais em paraísos fiscais. Mineiro declarou ter efetuado pagamentos no exterior via Entre Investiments and Arbitrage Ltd., empresa com sede nas Bahamas, mediante faturas enviadas por Daniel Vorcaro. A PF busca determinar se esses recursos também foram canalizados para o fundo Havengate ou pessoas ligadas a ele.

O empresário também revelou que sua função para a equipe de Vorcaro envolvia a geração de dinheiro em espécie, entregue em malas, que seria destinado ao pagamento de propinas.

Posicionamentos

A assessoria de Flávio Bolsonaro informou que os dados sobre o financiamento são fornecidos pela produtora Go Up, que já teria apresentado a prestação de contas. A empresa contratou uma auditoria particular que, em junho, declarou a regularidade das contas do filme — orçadas em R$ 75 milhões e bancadas pelo fundo Havengate —, embora os documentos e notas fiscais não tenham sido tornados públicos.

O advogado do delator, Marco Petrelluzzi, afirmou que não comentará o caso devido ao segredo de Justiça. Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025.

Notícias Relacionadas