PF deflagra operação contra fraudes que desviaram R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS
A Polícia Federal e a CGU deflagraram operação contra fraudes em benefícios do INSS que podem somar R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A ação visa desarticular núcleos criminosos em Brasília, São Paulo e Garanhuns, além de bloquear a venda de bens dos investigados
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (27), uma nova etapa da Operação Sem Desconto para desarticular núcleos regionais envolvidos em fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. A ação, realizada em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU), visa bloquear a dilapidação de patrimônio, após a identificação de que os investigados estariam vendendo bens de luxo e imóveis por preços abaixo do valor de mercado.
O esquema criminoso, operado entre 2019 e 2024, consistia na realização de descontos irregulares em benefícios previdenciários, com desvios que podem somar R$ 6,3 bilhões. A estrutura do crime se divide em frentes distintas em Brasília, São Paulo e Garanhuns (PE).
No Distrito Federal, as investigações recaem sobre as entidades UNIBAP e ABENPREV, que teriam efetuado descontos diretos em benefícios após a assinatura de acordos de cooperação com o INSS em 2021 e 2023. Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho são apontados como articuladores e gestores dessas associações. O grupo operacional e financeiro do núcleo brasiliense incluiria ainda Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves.
Em São Paulo, a PF mira o grupo denominado “Golden Boys”, que envolve as entidades Master Prev, AASAP, ANDAPP e o Amar Brasil Clube de Benefícios. A gestão dessas associações estaria sob a responsabilidade de Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos. Parte dos envolvidos neste núcleo já cumpre medidas cautelares, incluindo o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Já em Garanhuns, o foco da operação são servidores e ex-servidores do INSS. Entre os principais alvos estão Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo da autarquia na cidade, e Rogério Soares de Souza, com passagens pela diretoria e pela Superintendência Regional do Nordeste. As apurações indicam que Rogério possui ligações com a ABAPEN, entidade que teria recebido aproximadamente R$ 70,9 milhões em descontos durante o ano de 2024. Desse montante, ao menos R$ 24,7 milhões teriam sido transferidos para empresas vinculadas a Antônio Carlos Camilo, conhecido como "Careca do INSS.