PF e CGU apuram desvio de verbas educacionais para financiar filme sobre Jair Bolsonaro
PF e CGU investigam desvio de R$ 1 milhão do projeto Jovem Empreendedor 4.0 para financiar o filme Dark Horse. A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10). O inquérito apura transferências entre o Instituto Conhecer Brasil, empresas ligadas ao deputado Mário Frias e a produtora Go Up Entertainment
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) apuram a suspeita de desvio de recursos públicos destinados a um projeto educacional para financiar a produção do filme Dark Horse, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, supervisionada por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou no cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10).
O foco do inquérito é o projeto Jovem Empreendedor 4.0, executado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa, presidida por Karina Ferreira da Gama, recebeu R$ 1 milhão via emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias (PL-SP). O objetivo era a capacitação de 250 multiplicadores e o atendimento de 2.250 alunos do 4º e 5º anos da rede pública.
Irregularidades na execução pedagógica
A auditoria da CGU identificou falhas graves na entrega do material didático. O ICB contratou o Instituto Super Poder Educacional (também conhecido como Super Leitores) por R$ 300 mil para a produção de 24 videoaulas. No entanto, o convênio expirou em 11 de janeiro de 2026, enquanto o site da plataforma foi registrado apenas em 1º de março e as aulas publicadas somente em 31 de maio.
Uma vistoria realizada em 1º de julho revelou a baixa adesão ao conteúdo: dez videoaulas somavam apenas sete visualizações, sendo que seis delas não registraram nenhum acesso. Devido ao descumprimento das metas e ao atraso na entrega, o MCTI rejeitou a prestação de contas do projeto.
Fluxo financeiro e vínculos empresariais
Os investigadores mapearam a existência de um circuito de transferências entre empresas e pessoas ligadas ao deputado Mário Frias. O ICB destinou R$ 700 mil a duas empresas: R$ 400 mil para a Dinâmica Editora e R$ 300 mil para o Instituto Super Poder Educacional.
A análise revelou conexões familiares e políticas:
- Pamella Cristiane Dias é sócia-administradora do Instituto Super Poder Educacional.
- Pamella é irmã de Heric Fabiano Dias, sócio-administrador da NTT Brasil Ltda.
- Heric é casado com Luiza Tessari Rocha Dias, que doou R$ 70 mil à campanha de Mário Frias em 2022.
Financiamento do filme Dark Horse
A PF suspeita que contratos simulados tenham sido utilizados para desviar verbas federais do projeto educacional para a Go Up Entertainment Ltda., produtora do filme e empresa da qual Karina Ferreira da Gama é sócia.
Relatórios do Coaf indicam que a Go Up movimentou R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025. Nesse período, a produtora recebeu R$ 750 mil em uma única transferência da NTT Brasil Ltda. (empresa de Heric Dias) e R$ 645,4 mil transferidos diretamente por Mário Frias.
Para a investigação, a proximidade entre os R$ 700 mil pagos pelo ICB às editoras e os R$ 750 mil repassados pela NTT Brasil à produtora sugere que o dinheiro público tenha retornado ao grupo para custear a obra cinematográfica e despesas de luxo em São Paulo.