Justiça

PF e CGU investigam irregularidades em aplicação de 97 milhões de reais do Iprev Maceió

11 de Agosto de 2026 às 07:27

PF e CGU investigam irregularidades em aplicações de R$ 97 milhões do Iprev no Banco Master. A operação mira seis pessoas e determinou a indisponibilidade de bens no mesmo valor. A investigação aponta possível terceirização indevida de competência administrativa e exposição do patrimônio a riscos

PF e CGU investigam irregularidades em aplicação de 97 milhões de reais do Iprev Maceió
© POLÍCIA FEDERAL/DIVULGAÇÃO

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, nesta segunda-feira (10), uma operação para investigar possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.

A investigação foca em duas aplicações feitas em letras financeiras emitidas pela instituição: a primeira, de R$ 97 milhões, ocorreu em dezembro de 2023, seguida por um aporte de R$ 17 mil em maio de 2024. O Banco Master, de propriedade do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, passou por liquidação extrajudicial em novembro de 2025 por determinação do Banco Central, sob a justificativa de crise de liquidez e violação de normas do Sistema Financeiro Nacional.

Alvos e Medidas Judiciais

A operação mira seis pessoas ligadas à gestão dos recursos e à consultoria financeira:

  • João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió e membro do Conselho de Administração do Iprev na época dos fatos;
  • Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da consultoria Crédito & Mercado.

O ministro André Mendonça determinou a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e valores dos citados, limitada ao montante global de R$ 97 milhões. A decisão judicial também autorizou a apreensão de documentos, contratos, comprovantes financeiros, computadores, telefones e mídias em endereços residenciais, comerciais e nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Indícios de Irregularidades

A Polícia Federal aponta que a empresa de consultoria Crédito & Mercado teria atuado indevidamente na condução do credenciamento, elaboração de análises e formação documental das operações com o Banco Master, o que configuraria uma terceirização indevida da competência administrativa do instituto.

De acordo com a decisão do ministro Mendonça, há indícios de que os investimentos foram direcionados, expondo o patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e baixa liquidez. O magistrado destacou que as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) apresentavam justificativas genéricas, sem a realização de estudos comparativos, análise de risco de crédito ou motivação concreta para a escolha da instituição financeira.

O objetivo das diligências é esclarecer a governança e a tomada de decisão, incluindo os processos de cotação e análise de risco que precederam os aportes.

Posicionamento do Iprev

Em nota, o Iprev afirmou que a gestão dos investimentos seguiu os ritos legais e administrativos. O instituto ressaltou que seu patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão na atualidade, assegurando a capacidade de pagamento de pensionistas e aposentados. A autarquia informou, ainda, que está colaborando com as investigações.

Com informações de Agência Brasil

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