Justiça

PF e CGU miram esquema de descontos irregulares em aposentadorias que pode somar R$ 6,3 bilhões

27 de Maio de 2026 às 09:04

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União cumprem 31 mandados de busca e apreensão para desarticular fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. A operação investiga descontos irregulares de associações entre 2019 e 2024, com desvios estimados em R$ 6,3 bilhões. A ação ocorre no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, nesta quarta-feira (27), nova etapa da Operação Sem Desconto para desarticular um esquema nacional de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. A fraude, ocorrida entre 2019 e 2024, consistia na cobrança de mensalidades sem autorização dos beneficiários, simulando a filiação de aposentados a associações. As apurações indicam que os desvios podem totalizar R$ 6,3 bilhões.

Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ação cumpre 31 mandados de busca e apreensão, oito medidas de monitoramento eletrônico e bloqueios de bens em alvos localizados no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba. O foco desta fase são três núcleos regionais.

No Distrito Federal, a investigação recai sobre as associações UNIBAP e ABENPREV. Em São Paulo, nove mandados são executados, incluindo as entidades Amar, Master Prev, AASP e ANDAPP. Já em Pernambuco, o alvo são servidores e ex-servidores do INSS.

Entre os investigados estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, apontados como articuladores ligados à gestão da UNIBAP e ABENPREV, além de Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos, citados na estrutura administrativa das associações. A operação também mira operadores e intermediários financeiros, como Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves.

A estrutura do esquema envolveu nomes ligados ao INSS, como Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do órgão e da Superintendência Regional do Nordeste, com suposta ligação à ABAPEN, e Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo da autarquia em Garanhuns. Alguns dos envolvidos já cumprem medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas.

A Operação Sem Desconto, iniciada em 23 de abril, investiga crimes de estelionato previdenciário, constituição de organização criminosa e ocultação de patrimônio. O histórico da ação já atingiu empresários, donos de sindicatos, ex-dirigentes do INSS e parlamentares, incluindo os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE), além do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que negam qualquer irregularidade.

Com informações de G1

Notícias Relacionadas