Justiça

PF indicia 15 pessoas por esquemas ilegais em operações financeiras entre BRB e Banco Master

29 de Outubro de 2026 às 07:10 3 min de leitura

A Polícia Federal indiciou 15 pessoas por fraudes em operações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. A investigação aponta a existência de uma organização criminosa e a aquisição de carteiras de crédito fraudulentas, resultando em perdas bilionárias para o BRB. O relatório parcial foi enviado ao STF

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PF indicia 15 pessoas por esquemas ilegais em operações financeiras entre BRB e Banco Master
Joédson Alves/Agência Brasil

A Polícia Federal indiciou 15 pessoas por envolvimento em esquemas ilegais relacionados a operações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. O relatório parcial da investigação, enviado nesta quarta-feira (28) ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta a existência de uma organização criminosa cujo núcleo estratégico era formado por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.

Entre os indiciados estão sete ex-gestores do BRB, seis ex-sócios ou gestores do Banco Master e dois sócios da Tirreno, consultoria apontada pela PF como empresa de fachada. Atualmente, Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, encontram-se presos.

Irregularidades em carteiras de crédito

As investigações revelam que a ex-diretora executiva de Controle e Riscos do BRB, Luana de Andrade Ribeiro, alertou a cúpula da instituição sobre graves falhas em carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. Em relatório, Luana informou a existência de R$ 1,1 bilhão em créditos com atraso superior a 15 dias.

A ex-diretora destacou que a área de Riscos não havia recebido as averbações dos contratos, documentos essenciais para comprovar a natureza consignável dos créditos. Mesmo diante da ausência de documentação, as transações foram confirmadas.

Em mensagens enviadas em 12 de fevereiro de 2025 a Dário Oswaldo Garcia Júnior, então diretor-executivo de Finanças e Controladoria, Luana descreveu a operação como uma "colcha de retalhos", alegando que realizava a análise "na confiança" e que sofria pressão hierárquica para concluir o trabalho. Apesar dos alertas, Luana aprovou o parecer e votou a favor de novas operações com carteiras de crédito, mesmo após assinar informes sobre a deterioração da liquidez do BRB.

Histórico de falhas e prejuízos

Os problemas com as aquisições não foram isolados. Em 2024, a diretoria do BRB já havia sido notificada por um gerente de que aproximadamente 90% da carteira recebida do Banco Master apresentava falhas ou descumpria os critérios exigidos pelo banco. Ainda assim, as operações foram efetivadas.

O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, registrou perdas bilionárias em negócios com o Banco Master. A instituição chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no banco de Vorcaro em uma tentativa de compra que foi posteriormente barrada pelo Banco Central. Após a interrupção, o BRB identificou que parte das carteiras compradas era fraudulenta e não possuía lastro.

Andamento judicial e defesas

O relatório da Polícia Federal, com mais de 700 páginas, solicita ao ministro André Mendonça, relator no STF, um prazo adicional de 60 dias para a conclusão de perícias e apresentação de relatório complementar.

As defesas dos principais indiciados negam as acusações:

  • Daniel Vorcaro: Argumenta que o indiciamento é precipitado, pois a própria PF admite a necessidade de mais investigações. Afirma que não houve prejuízo ao BRB e que as carteiras foram substituídas por outros ativos.
  • Paulo Henrique Costa: Sustenta que não tinha conhecimento das fraudes e que foi ele quem detectou as irregularidades, exigindo R$ 25 bilhões em garantias. Afirma que todas as decisões foram colegiadas e segiram a governança do banco.
  • Augusto Lima: Rechaça as conclusões do relatório, alegando que a PF realizou uma leitura enviesada de mensagens de texto e que não participou de qualquer fraude.

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